Albari RosaO marceneiro Mauri Pereira, 34 anos, perdeu toda a produção de cadeirasSegundo moradores da Vila Osternack, está foi a maior inundação dos últimos seis anos. Muitos perderam todos os móveis de casa, ficando sem geladeiras, fogões, sofás, camas e roupas. Em alguns imóveis, onde funcionavam estabelecimentos comerciais conjugados com residências, o prejuízo foi ainda maior.
O marceneiro Mauri Pereira, 34 anos, perdeu toda a produção de cadeiras, mesas e porta-chaveiros que tinha em sua casa. Ele, que mora na Rua 1, conta que é a primeira vez que a água atingiu seu imóvel. ‘‘Outras vezes chegava perto, mas não entrava’’, contou. Ele estima que perdeu mais de R$ 80,00 em encomendas. ‘‘Sem contar, os móveis’’, acrescentou.
Pereira diz que estava trabalhando quando o rio subiu. ‘‘Quando percebi, deu apenas para levantar a geladeira, fogão, um colchão e algumas roupas’’, contou. Mesma situação vivenciou o pintor e comerciante de tintas, Cícero Dias da Cruz, que mora na Rua 6. Preso em casa com sua mulher, Cristiane Cruz, e o filho, Michael, de seis meses, ele teve que ajudar os dois a pular a janela e sair pelos fundos onde a água batia nas canelas. ‘‘Perdi tudo, mas ainda bem que consegui salvar minha família’’, afirmou.
O torneiro Alberi Costa, da Rua 7, diz que teve sorte de estar em casa ontem. ‘‘Normalmente, deixou minhas duas filhas e meu bebê sozinhos’’, afirmou. Ontem, como a filha mais velha ficou doente, ele conseguiu retirar as crianças rapidamente. ‘‘Perdi meu sofá e o conjunto de cozinha’’, disse. ‘‘Talvez precise de ajuda de meus parentes e amigos para reconstruir a minha vida’’, afirmou.
Ontem, a direção da Associação dos Moradores XXIII de Agosto colhia doações dos moradores que não foram atingidos pela inundação. ‘‘Sei o que é perder tudo e sair de casa com as mãos abanando’’, disse a catadora de papel, Juvelina Lemos Ferreira. Com renda mensal de R$ 140,00, ela ia comprar uma cesta básica para os desabrigados. ‘‘A gente é pobre, mas não de coração’’, acrescentou.(I.R.)

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