O calor atípico para a época do ano adiantou a queda de folhas e galhos das sibipirunas, espécie que representa em torno de 80% das quase 100 mil árvores plantadas nas ruas de Maringá. Os moradores, acostumados com o excesso de folhas que caem das árvores, reclamam apenas da falta de um serviço permanente de varrição. ‘‘As folhas entram dentro das casas, dos carros e até da roupa da gente, mas o volume maior fica nas calçadas e ruas, e deveriam ser varridas e recolhidas pela prefeitura’’, afirma a aposentada Delvina Siqueira, que mora na Zona 2, um dos bairros mais arborizados da cidade.
Na maior parte das ruas os moradores precisam fazer a limpeza das calçadas, que em muitos casos ficam com o meio-fio entupidos de folhas. ‘‘Quando chove, as folhas vão todas para o bueiro e entopem tudo’’, reclama Delvina. Ela garante que pelo menos nos últimos cinco anos não viu um varredor da prefeitura passar pelas ruas do bairro. ‘‘A gente paga imposto para manter as ruas limpas também, não é?’’
A dona de casa Eli Roberto de Souza, também moradora da Zona 2, disse que varre duas vezes por dia a frente de sua casa. ‘‘Cada 15 dias tenho que comprar uma vassoura nova’’, conta. Ela garante que os funcionários da prefeitura no máximo recolhem galhos caídos na rua em dias de muito vento. ‘‘Tem um galho enorme ali na esquina há mais de 15 dias e ninguém vem tirar’’, afirma. Eli lamenta que a queda de folhas da sibipiruna dura pelo menos três meses e só os moradores têm que limpar a rua.
O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso, alega que a reclamação dos moradores não procede. Ele diz que a prefeitura mantém 200 homens na varrição, que é feita inclusive durante a noite. Na Zona 2, segundo Cardoso, as ruas são varridas duas vezes por dia por causa da queda de folhas, mesmo assim a sujeira é muito grande. ‘‘Tem gente que está há 40 anos em Maringá e não acostuma com o excesso de folhas nas ruas, mas não podemos manter varredores o dia todo em uma rua’’, desabafa.
Por causa da grande quantidade de folhas, a secretaria tem recolhido de 10 a 12 caminhões de varrição por dia, o dobro de períodos normais. Segundo Cardoso, no final de setembro o volume de folhas que caem das árvores já será menor. ‘‘Mas os moradores têm que se acostumar com isso’’, diz. Ele lembra ainda que as sibipirunas e outras espécies que soltam muita folha nesta época, trazem bem mais benefícios para a cidade, garantindo uma temperatura mais estável, a umidade do ar mais alta e até valorizando os imóveis.

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