Quem entra no Centro Comunitário do Conjunto Violin, na zona norte de Londrina, imagina que o bairro está abandonado ou que o local foi substituído por outra instalação. O motivo são as condições de conservação do prédio, que serve de ponto de entrega das cestas básicas doadas pela prefeitura a moradores carentes de vários bairros próximos.
O prédio possui três banheiros, mas um deles não tem caixa d'água e outro está com o registro quebrado. O único que pode ser usado pela população está com a forração solta e em péssimo estado. A cozinha não tem pia e, por isso, não pode ser utilizada. Além disso, os móveis da cantina estão mal conservados. O teto está esburacado e permite a entrada de água da chuva. As paredes não possuem tomadas e a pintura é velha.
De acordo com a vice-presidente da Associação de Moradores do Violin, a vendedora Raimunda Bezerra, 48 anos, o prédio está nesta situação por falta de verbas. Ela afirma que, desde que assumiu o cargo, há um ano e meio, nunca recebeu dinheiro da prefeitura para a manutenção do local. ''Quando nós assumimos, não tinha nem água nem luz. As contas estavam todas atrasadas'', reclamou. Os moradores se juntaram para poder pagar as contas atrasadas, mas o dinheiro voltou a faltar. ''Com o barracão no estado que está, nem festa para arrecadar dinheiro a gente pode fazer'', afirmou.
Os poucos moradores que ainda tentam utilizar o local enfrentam dificuldades. A comerciante Maria Helena Barbieri, 53 anos, membro do conselho deliberativo da Associação de Moradores, disse que são várias as reclamações. Além das dificuldades de uso pelo estado de conservação do prédio, a falta das antigas atividades realizadas no centro são as mais comuns. ''Antigamente tinha festa, aula de ginástica, capoeira, mas agora acabou tudo. Esses dias um pessoal usou o lugar para fazer um velório e teve que ser à luz de velas, porque não tinha energia'', reclamou.
Outro problema são as cestas básicas, que não podem ser guardadas no local. Devido às goteiras do telhado, os alimentos podem estragar com o acúmulo de água no chão. Raimunda afirma que a Secretaria de Obras já esteve no local fazendo vistorias para realizar a reforma, mas que nada foi feito até o momento.
O coordenador técnico da Secretaria Municipal de Obras, Joaquim Wargha, disse que é a população quem define as prioridades do bairro nas reuniões do orçamento participativo. Segundo ele, nenhuma reclamação sobre o local foi passada à prefeitura. Ele também se comprometeu em visitar o centro comunitário e verificar o que pode ser feito.

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