Mário CésarSentimento mútuoCésar Joaquim da Silva, Beatriz Mota Ferreira e Geraldino Nascimento, do conselho comunitário: ‘traição’Os moradores do conjunto habitacional Guilherme Pires (zona leste) questionam doação de terreno público para a Igreja Luz do Mundo. A comunidade quer que o Ministério Público avalie logo a representação judicial contra a doação.
No início da semana, os coordenadores da igreja já começaram a levar material de construção para o terreno. A comunidade teme que, se houver demora na decisão da Justiça, a nova igreja vai ser construída, dificultando o processo de reintegração de posse do terreno.
Na representação, o Conselho Comunitário da Zona Leste argumenta que a doação do terreno para a igreja é inconstitucional. Segundo o presidente da entidade, Geraldino Batista do Nascimento, a Constituição proíbe o Município de doar áreas para grupos religiosos. O projeto de lei que doou o terreno é de autoria do vereador Célio Guergoletto (PMDB). A matéria foi aprovada e sancionada pelo prefeito no início do ano.
‘‘Os vereadores fizeram tudo por baixo dos panos. Nós só ficamos sabendo quando vimos o pessoal da igreja vistoriando o terreno. A comunidade se sentiu traída’’, diz Nascimento. Ele explica que os moradores da região vêm lutando desde 88 para que o terreno seja destinado a um Centro Comunitário. Protocolos da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina e da Prefeitura, ainda durante a última administração de Belinati, confirmam a reclamação de Nascimento.
Ao longo dos últimos anos o mesmo terreno foi disputado por outras três igrejas, que também não conseguiram a doação. ‘‘Não temos nada contra a igreja, mas achamos que os moradores têm outras prioridades para a utilização do terreno público’’, afirma Nascimento. O centro comunitário, segundo ele, ofereceria espaço para uma pré-escola mantida pelos moradores, farmácia e outras benfeitorias que a comunidade local estaria precisando.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, diz que não tem previsão de quando poderá apreciar a representação do Conselho. ‘‘Estamos sobrecarregados e trabalhando no caso da Comurb’’, referindo-se ao caso das contratações irregulares. Ele enfatiza que a decisão de construir ou não cabe à própria igreja. ‘‘Não cabe a mim dizer nada a respeito. Eles é que tem de decidir se vão correr o risco ou não de perder o investimento.’’ Se o promotor considerar a doação irregular, vai entrar com ação contra o Município pedindo a devolução do terreno para o poder público.

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