Londrina – "Pra ficar péssimo, precisa melhorar muito", resume o vendedor Francisco Moreira ao passar pela Rua Gralha Azul, no Parque das Indústrias Leves, zona leste de Londrina. Por lá, várias ruas do bairro estão em situação precária e precisam ser recapeadas.
Nessa via, os buracos começam já na esquina com a Rua do Uirapuru. O ônibus do transporte coletivo passa pelas duas vias, o que agrava ainda mais o problema. A dona de casa Marli Francisca Silva mora no bairro há 23 anos. Segundo ela, os maquinários utilizados no recape nunca apareceram por ali. "Eles fazem aquele tapa-buraco que esfarela na rua e não resolve o problema. O pneu do nosso carro furou ontem à noite depois de passar pelos buracos. Agora o carro foi para o conserto", ressalta.
No asfalto, os pedriscos se soltam a cada chuva e seguem para os bueiros. O morador Valdir Moreira contou que os vizinhos já cobraram a prefeitura. "Até agora eles não fizeram nada. Precisava recapear pelo menos essas ruas em que o ônibus passa, mas ninguém da atenção. Acho que o bairro está esquecido nesse ponto", reclama.
A situação é a mesma nas ruas entre o Vale do Cambezinho e o Jardim San Fernando, na zona sul. Para o aposentado Lino Carmo, "o serviço de tapa-buracos só engana". "Quando a gente passa na rua com o carro, as portas e janelas ficam batendo e dá problema. Já tive que mandar arrumar meu carro por causa disso", explica.
O instalador de som José Maria Junior mora na Rua Irmão José Valério de Souza. Ele relata que a prefeitura executou o serviço de tapa-buracos no segundo semestre do ano passado, mas as crateras voltaram a fazer parte da rotina da vizinhança. O pai dele, José Maria, participou de algumas manifestações no bairro e já desistiu de cobrar melhorias. "A gente já pegou carriola e jogou concreto na rua no protesto, mas a prefeitura não olha pra gente", lamenta. O aposentado até guardou peças de ferro que caíram de ônibus e caminhões que passaram pelo local. "Isso aqui faz parte do sistema de molas. Recolhi da rua pra não prejudicar ninguém", conta.
A diretora da Associação de Moradores do Vale do Cambezinho e Adjacências, Janet Marchesi, afirma que o serviço de recape foi executado nas principais vias por onde passa o transporte coletivo, mas, no geral, o tapa-buracos aparece após longos períodos de cobranças. "A gente também já cansou de cobrar", desabafa.
A reportagem procurou o secretário Municipal de Obras, Sandro Nóbrega, mas ele não repassou informações sobre o serviço de recapeamento.

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