Londrina – Os moradores do assentamento Eli Vive, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizado no extremo sul de Londrina, estão reivindicando melhorias nas estradas que cortam o local. São essas vias que permitem o escoamento da safra produzida nos lotes, conquistados depois de muita luta. A malha viária possibilita ainda a circulação de insumos para a produção local e dos próprios moradores, que precisam ir e vir para buscar atendimento de saúde, chegar aos estabelecimentos comerciais, visitar parentes ou ir à escola.
Criado há seis anos, o assentamento Eli Vive, que tem uma área de quase 5 mil hectares, é uma comunidade de 500 famílias e 2 mil moradores. Segundo quem vive no local, cerca de 100 km de estradas internas precisam ser construídos no local. O que existe hoje são carreadores improvisados que, segundo quem vive lá, não podem ser chamados de estradas. O barro e a poeira compõem a paisagem e as dificuldades são imensas, inclusive para quem depende de transporte coletivo.
No início de março, o casal Juliana Costa e Devanir Martins ficou das 7h40 às 14 horas esperando um ônibus que os levasse para a área urbana de Londrina, já que os veículos deixam de aparecer conforme as condições do tempo, por conta da piora do estado da estrada. "É só chover que meus filhos Kevin, de 10 meses, e Kayni, de 9 anos, perdem as aulas. O recorde, até agora, é de cinco dias consecutivos sem poder ir à escola. Mas se formos contar os dias em que eles faltaram um ou dois dias seguidos, o prejuízo é grande", afirma Juliana.
Martins conta que recentemente Juliana não conseguiu chegar ao funeral de um tio em função das condições ruins das estradas. "A vida é difícil aqui", resume.
Para o agricultor José Alves Pereira Neto, de 55 anos, as dificuldades são ainda maiores. Ele tem uma filha, de 9 anos, com necessidades especiais, e precisa enfrentar as estradas em más condições para levá-las à fisioterapia. A solução encontrada para amenizar as dificuldades foi trocar o lote no fundo do assentamento por outro logo na entrada. "Os lotes são do mesmo tamanho, mas só de fazer essa mudança facilitou muito a minha vida. Em pouco tempo consigo chegar ao asfalto e ir para a cidade", expressa. Pereira Neto tem uma plantação de milho, que servirá de alimento para uma futura criação de gado leiteiro. "Plantei em um quarto do lote e depois vou formar o pasto", projeta.
As amigas Rosalina Cardoso, de 65 anos, e Noelita Pereira da Silva, de 70, comentam que as dificuldades são imensas nos dias de chuva. "Quando chove tem gente que enfrenta a estrada a pé, mas eu não saio de casa quando a água cai. Forma muita lama e fica muito escorregadio. Não dá para andar direito. Você praticamente perde o seu dia", afirmou Rosalina. "É terrível", completa a amiga. "Quando a estrada está cheia de barro, só dá para circular com trator grande", conclui Noelita.
O borracheiro Joderson de Lima, de 35 anos, aproveita a condição ruim das estradas para faturara com consertos de pneus. O lucro, no entanto, quase não é suficiente para pagar os reparos na moto dele, que que também sofre com a superfície irregular da pista. "Além da borracharia, eu também comercializo gás de cozinha e faço entregas com a moto. Recentemente gastei mais de R$ 400 só para trocar algumas peças danificadas pela estrada ruim. Essa semana foram mais R$ 150", lamenta.

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