Segundo o diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Fábio Reali, do ponto de vista técnico, uma praça é uma reserva de área pública no meio de edificações. ''Imagine um bairro todo edificado sem uma área de lazer específica. É preciso que haja esse espaço que, além de ser uma opção de lazer, também é uma área com bastante arborização, que reduz o calor'', afirma.
Em uma praça, segundo Reali, não se pode promover uma ocupação além do lazer, como uma atividade comercial, fazer o plantio de mudas sem a devida autorização. ''A praça é do povo. Quanto mais a população usar é melhor, desde que não prejudique terceiros'', define, lembrando que essas áreas ainda são bastante utilizadas para festividades religiosas e populares, como as festas juninas.
''A praça deveria servir para a pessoa poder sentar, arejar a cabeça, pensar na vida. Mas hoje em dia tá perigoso'', afirma Alcides Bueno, dono de um quiosque há 20 anos na praça Jonas Farias Castro, na rua Quintino Bocaiúva (Região Central).
''Os bancos aqui estão quebrados, falta iluminação à noite. O busto do professor Jonas, que dá nome à praça, foi roubado. Se fosse mais bem cuidada viria mais gente'', sugere, ressaltando porém que gosta da praça onde trabalha. ''Quando tinha torneira, as pessoas lavavam roupa e tomavam banho aqui, agora não tem mais. Tinha bastante vagabundo também, hoje tá mais cuidada'', avalia.
A praça é frequentada diariamente pela dona-de-casa Nadir Peres. ''Moro em um prédio aqui perto e trago a minha cachorrinha todos os dias. Minha neta também adora esta praça'', relata.
Recordando-se do tempo em que as praças eram refúgios para casais enamorados, ela lamenta: ''Hoje é perigoso, os casais nem passam perto daqui à noite. O adolescente hoje não tem liberdade nem pra namorar''.
A fama de perigosa não afastou o bicicleteiro Sebastião Lombardi da praça Rocha Pombo, no Centro da cidade. ''É meio suspeita, mas de vez em quando eu páro para descansar aqui na hora do almoço. Tem muita malandragem, mas é uma praça boa'', opina.
Lombardi diz ter saudade da época em que o local era bastante movimentado, tanto pela proximidade da antiga estação rodoviária (hoje Museu de Artes) quanto pelos próprios atrativos da praça, como a fonte de água desativada há tempos.
''É um cartão de visita da cidade, precisaria reformar. Queria vir com minha esposa e não dá. Se reformasse, naturalmente viria mais famílias aqui'', sugere, lembrando que, em melhores condições, a praça Floriano Peixoto, próxima dali, é mais agradável e bem mais frequentada. (A.I.)

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