Londrina – Em menos de 30 dias, três casas da Rua Ana Domingues Molina foram alvo de invasão e roubo no Residencial Moradias Tibagi, na zona norte de Londrina. Os moradores preferem não ser identificados porque temem mais prejuízos. "A casa foi toda revirada. Perdi tablets, eletrodomésticos, joias. Tudo aconteceu em menos de três horas, quando eu saí para passear com a família", contou o proprietário de uma das residências.
Na esquina da mesma rua, um imóvel abandonado foi incendiado no início da noite de sexta-feira. As chamas consumiram a sede do antigo Centro Comunitário do bairro e os cômodos ficaram completamente destruídos. Segundo os moradores, o local foi utilizado durante dois anos e abandonado em seguida. Desocupado há mais de dez anos, paredes pichadas, vidros quebrados e garrafas de bebida alcoólica espalhadas pelo chão já faziam parte do cenário encontrado antes do incêndio.
"O espaço era bom. A igreja usava a sala para dar catequese para as crianças daqui. Nos últimos anos estava terrível. Tinha usuários de drogas, tinha de tudo aí dentro. Era esconderijo de ladrão. Meus filhos não saem mais de casa para brincar na rua", revelou outra moradora. Para a vizinhança, boa parte das ocorrências registradas na região estava ligada ao imóvel abandonado. Alguns moradores pediram providências à Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), responsável pela construção do bairro e do Centro Comunitário, mas não houve resposta.
Numa tentativa de amenizar o problema, a população se uniu para ter a segurança de um vigia particular. Dois pontos de ônibus ficam próximos ao local abandonado e, conforme os vizinhos, não há policiamento nas ruas da região. "Eu não vejo viatura por aqui. Há uns dois meses, três mulheres sofreram tentativas de abuso por aqui, perto do ponto de ônibus. Geralmente ocorria durante o dia, quando elas estavam indo para o trabalho. Meu marido fica olhando da janela de casa quando eu tenho que pegar ônibus aqui", afirmou outra moradora.

REGISTRO
De acordo com o comandante do setor de Rádio Patrulha da 4ª Companhia Independente da Polícia Militar, tenente Gustavo Rodrigo da Costa, apenas cinco ocorrências foram registradas entre janeiro e julho deste ano no Moradias Tibagi. "Toda e qualquer ligação é atendida, mas, muitas vezes, o solicitante não atende o policial ou prefere não registrar a ocorrência. Muitos têm medo de denunciar e isso atrapalha as estatísticas e o planejamento para executar o policiamento ostensivo", informou.
Em princípio, não há a suspeita de que o incêndio na sede do antigo Centro Comunitário tenha sido criminoso. De acordo com o tenente Costa, o policiamento será reforçado no bairro nas próximas semanas. "Não temos uma viatura específica para cada região. Com a nova etapa do estágio dos alunos do curso de formação, vamos ter 50 PMs a mais nas ruas da zona norte e uma viatura específica para fazer o patrulhamento na região", ressaltou. Os bairros Moradias Tibagi, Jardim Imagawa, Jardim Nova Olinda e Parque Ouro Verde estão entre os locais que serão contemplados.
O assessor estratégico da Cohapar, José Roberto Matheus, não soube informar o motivo do abandono do antigo Centro Comunitário. Segundo ele, os estragos após o incêndio serão fotografados e os documentos serão encaminhados para Curitiba onde a equipe fará uma avaliação. "Vamos ver se o espaço será reconstruído ou demolido. Alguma providência será tomada com certeza", garantiu.

mockup