Moradores do Parque Tarumã 2, em Maringá, estão reclamando da falta de fiscalização da prefeitura no bairro. ‘‘Nós estamos abandonados’’, diz o funcionário público Antônio Rodrigues de Abreu. Ele reclama que, primeiro a prefeitura liberou o loteamento ao lado de um curtume. ‘‘Essa área deveria ser pasto até hoje’’, afirma. Depois, continua Abreu, o poder público deixou de fiscalizar as obras, permitindo a construção de barracos. ‘‘Nossa preocupação é com as condições de vida e a segurança dos moradores’’.
As poucas famílias que conseguem sair de um barraco para uma casa, mesmo que construída com restos de materiais, têm o apoio apenas dos outros moradores. ‘‘O pessoal da prefeitura só vem aqui e ameaça derrubar os barracos’’, garante. O bairro tem cerca de 100 moradias e pelo menos 10 barracos. O presidente da associação dos moradores, José Ferreira Dantas, diz que já pediu ‘‘inúmeras vezes’’ para a prefeitura fiscalizar e ajudar os moradores dos barracos. ‘‘Mas o pessoal sempre alega que não tem condições’’, reclama.
A dona de casa Maria Santos do Carmo, que perdeu a casa no vendaval da semana passada, disse que no final de 1999 foi até a prefeitura em busca de um projeto. Como era perto do Natal ela não conseguiu nada, mas decidiu junto com o marido e um pedreiro construir o imóvel sem o projeto. ‘‘A gente demorou uns 10 dias para fazer a casa, e não apareceu nenhum fiscal nem para falar que estava errado’’, contou. Os ventos de até 70 quilômetros horários acabaram derrubando as quatro paredes da casa. ‘‘Antes não tinha nem goteira’’, garante Maria.
O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Maringá, Carlos Eduardo Schwabe, disse que o bairro não está abandonado. ‘‘As ruas foram cascalhadas e o transporte coletivo já passa pelo local’’, lembra. Ele diz ainda que todas as famílias tem projeto e acompanhamento técnico para construir. ‘‘O problema é que esse pessoal faz a obra no final de semana, e não tem como fiscalizar’’, afirma. O secretário garante ainda que Maringá não tem favelas. ‘‘Podem existir barracos em loteamentos populares, o que não caracteriza favela’’, explica. Schwabe lembra ainda que a prefeitura alugou uma casa para Maria Santos, e vai ajudar na reconstrução.

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