Moradores do Jardim Vale Verde (Zona Sul de Londrina) querem que a prefeitura desaproprie imóveis construídos sobre nascentes do córrego Inhambú, que estão por todo o bairro. Os donos das casas não aguentam mais os transtornos gerados pela presença das minas d'água, como infiltrações e rachaduras nas paredes, umidade e o mau cheiro dos dejetos jogados em drenos.
Ontem pela manhã, membros da comunidade se reuniram com o assessor de recursos hídricos da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), João Batista, e com o vereador Roberto Fu (PDT) para discutir o problema, surgido há 20 anos junto com os primeiros lotes. Alguns moradores já pediram providências à prefeitura e chegaram a denunciá-lo ao Ministério Público (MP), em julho do ano passado.
O auxiliar de serviços gerais e líder comunitário Walmir Alexandre Ribeiro, 39 anos, descobriu um documento que pode reforçar as reivindicações dos moradores. Trata-se do decreto nº 184, de 18 de abril de 2000, que declara de utilidade pública 23 terrenos no Jardim Vale Verde. O assessor da Sema explicou que, sob o efeito desse decreto, o proprietário do imóvel - construído ou não - fica impedido de vendê-lo. Por outro lado, a prefeitura assume o compromisso de desapropriar o terreno.
''Curioso é que o Município tenha baixado esse decreto cinco meses depois de colocar asfalto no bairro. Se o local era impróprio para moradia, pra que asfaltar?'', questionou Ribeiro. ''Agora a desapropriação é necessária para que os moradores possam ter condições de moradia digna. Afinal eles estão pagando seus impostos'', completou. Ribeiro disse que o número de terrenos a serem desapropriados precisa ser revisto, podendo passar de 30 áreas.
Proprietária de um desses imóveis, a autônoma Xirlei Santiago Costa, 44 anos, contou que as paredes de sua casa ficam constantemente úmidas e, quando chove, ''a água da mina entra e encharca a sala''. ''A gente queria se mudar, mas não tem pra onde ir'', disse. Já o encanador José Agnaldo Couto, 38 anos, sofre com o cheiro dos dejetos jogados nos tubos usados para drenar a água das minas, e que desembocam ao lado de sua residência. ''Quando mudei pra cá, o loteador não falou nada sobre esses problemas'', comentou.
João Batista ressaltou que o problema é também de ordem ambiental, já que as nascentes do córrego que desemboca no Ribeirão Cambezinho estão sendo poluídas. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura para saber sobre a possibilidade de desapropriações no Vale Verde, mas não obteve resposta até o fechamento da edição.

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