A seringueira plantada no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa (Área Central de Londrina), sempre chamou a atenção pelo tamanho e beleza. A raiz com quase quatro metros de largura sustenta um tronco estrondoso, com cerca de cinco metros, o que resulta em uma copa com mais de 15 metros de altura.
  Tamanha exuberância deixou de ser apenas motivo de orgulho para os moradores do bairro, que sempre aproveitaram a sombra da árvore para descanso ou mesmo para as brincadeiras das crianças. Eles agora estão preocupados e acreditam que a seringueira esteja morrendo, depois de um ato de vandalismo cometido no terreno, que também abriga outras espécies de plantas.
  A seringueira foi atingida pelo fogo, em novembro do ano passado. Um rapaz que não foi identificado pela polícia colocou fogo em uma grande quantidade de folhas caídas no terreno. ‘‘Virou a maior fumaceira na área e o fogo atingiu a raiz da árvore e foi se alastrando e queimando outras árvores também’’, afirma a moradora Terezinha Horácio Bonezi que, juntamente com vários vizinhos, conseguiu conter o incêndio, até que o Corpo de Bombeiros chegasse.
  ‘‘Nunca vi a árvore tão triste’’. A observação faz referência à aparência das folhas, que estão amarelando e murchando, sem que novas brotem. ‘‘A seringueira sempre foi muito vistosa, verde, viva. Agora está assim, sem vida e a gente vê que os galhos estão morrendo’’, alerta a moradora, que criou filhos e netos aproveitando a sombra da árvore.
  Terezinha cuida da seringueira há 35 anos, desde que a muda foi plantada. ‘‘Era uma plantinha pequena e a gente aguava, cuidava, até que ela virou isso tudo’’, orgulha-se. Já defendeu várias vezes a árvore, inclusive de ser cortada pelos próprios funcionários da prefeitura, quando a planta ainda não tinha atingido o tamanho de hoje. ‘‘Chegaram com uma motosserra e começaram a cortar os galhos. Entrei na frente e mandei parar.’’
  O episódio é relembrado pela neta, Luciana, hoje com 17 anos. A exemplo da mãe, quando criança utilizou o local onde está a árvore como área de lazer. ‘‘Ela nunca deixou ninguém estragar a árvore. Hoje, também defendemos a planta porque não queremos ver essa maravilha morrer.’’
  Outra moradora do bairro, Ana Lúcia Fernandes Araújo, conta que os vizinhos estão fazendo de tudo para salvar a planta, que é um símbolo no bairro. ‘‘Meu marido já comprou dois sacos de adubo e colocou na raiz para evitar que a árvore morra, mas não está adiantando’’, lamenta. Para piorar a situação, a árvore foi atacada por cupins, que tem acelerado o processo de degradação da planta.
  Os moradores reclamam do descaso de órgãos competentes. Segundo eles, já foi pedida ajuda para a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), mas nenhum funcionário apareceu no local para avaliar as condições da árvore. ‘‘Não adianta ligar. Ninguém aparece e estamos com medo dela morrer’’, afirma Ana Lúcia.
  Na Secretaria do Ambiente, a informação é que os moradores devem protocolar um pedido para avaliação da árvore, apresentando documentos como RG, CPF e comprovante de residência. Uma equipe irá até o local avaliar as condições da árvore para tomar as providências necessárias para salvá-la.

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