Mário CésarPelo silêncioMoradores do Calçadão apelam ao presidente da Comurb que leis sejam respeitadas

Os moradores do Calçadão recomeçam a batalha pelo silêncio no local, esperando que a nova administração de Londrina consiga derrotar os ‘‘barulhentos’’ do Centro. Ontem, um grupo de cinco moradores, encabeçados pelo jornalista e escritor Domingos Pellegrini Júnior, foi pedir providências ao presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Cléber Tóffoli.
Depois de dois anos reclamando junto aos órgãos da Prefeitura, sem sucesso, Pellegrini Júnior decidiu se mudar para uma chácara no conjunto Eucaliptos (zona leste). ‘‘Meu rendimento profissional caiu. Estou estressado e sob tratamento homeopático’’, afirma o jornalista. Ele não é o único que está abandonando o lugar. O inquilino do pai dele, Domingos Pellegrini, também pensa em se mudar. ‘‘Ele já me comunicou que está procurando outro apartamento porque não suporta mais o barulho’’, afirma o escritor.
Pellegrini quer entrar com uma ação na Justiça contra a Prefeitura por danos morais. Em dezembro, ele encaminhou um abaixo-assinado de moradores e comerciantes do Calçadão à promotora do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach. Ele ressalta que este é o quarto abaixo-assinado feito em dois anos.
Os moradores reclamam da banda peruana que há três meses toca no Calçadão durante todo o dia, dos três palhaços que circulam pelo lugar - cada um produzindo um barulho diferente -, dos carros de som e alto-falantes fazendo propagandas de lojas. Nem mesmo os meninos - moradores dos mesmos prédios que eles -, que jogam bola no Calçadão à noite escaparam da lista de barulhentos. ‘‘Eles incomodam com aquela bola e ninguém pode mais usar a praça. Sem contar os palavrões que eles usam, incomodando principalmente os mais idosos’’, afirma Pellegrini.
‘‘Lei contra a poluição sonora é o que não falta’’, ressalta o escritor, citando entre outras o artigo 27 do Código de Posturas do Município e a Lei Federal 9.099. Além do barulho, o trânsito de bicicletas pelo Calçadão também foi enumerado pelos moradores como um problema. Eles dizem que os pedestres correm risco de atropelamento.
Tóffoli afirma que ainda esta semana deve pedir uma revisão dos alvarás concedidos pela Comurb a ambulantes e a verificação daqueles que estão trabalhando sem a licença. Segundo Tóffoli, serão feitos contatos com a Autarquia Municipal do Ambiente e a Secretaria de Fazenda, para que desenvolvam um trabalho em conjunto. Quanto às bicicletas, ele afirma que vai discutir o assunto com a Polícia Militar. ‘‘Podemos proibir o tráfego, mas não temos como multar porque bicicleta não tem placa.’’ A promotora Reinchenbach telefonou ao presidente da Comurb durante a reunião com os moradores, colocando-se à disposição.

mockup