Moradores organizam passeata contra linhas de alta tensão
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Poluição visual, risco direto para a saúde e prejuízo para o meio ambiente. Estas são alguns dos perigos que moradores de bairros das zonas sul e oeste de Londrina atribuem à instalação dos superpostes e das de linhas de energia de 138 mil volts na Gleba Palhano e no Jardim Guanabara. Para mostrar a desaprovação da população e requerer a interrupção da instalação dos postes, o grupo intitulado Movimento Eu amo Londrina realiza amanhã, às 9 horas, a passeata "Igapó sem Tensão". Segundo a organização, o objetivo é reunir cerca de mil pessoas.
"Estamos preocupados com as consequências dessa ação impensada, que afetará não somente os moradores da região, mas toda a população de Londrina e visitantes que vêm à cidade e frequentem o Lago", afirma a coordenadora do Movimento, a advogada Renata Brandão Canela, moradora do Jardim Santa Rosa (zona sul).
"Os moradores não foram consultados; como a Copel faz uma intervenção como essa sem uma audiência pública, que discuta o trajeto da instalação?"
Segundo Renata, o grupo deve percorrer as principais vias projetadas pela Copel para receber os superpostes, tapando os trechos já preparados. "Não aceitamos esse descaso", afirmou o músico Miguel Carlos Tófano, morador da Gleba Palhano. "Isso não poderia ser colocado no subterrâneo?", questiona o professor aposentado Hermann Oberdick, que mora no Jardim Presidente há 29 anos.
As linhas de transmissão devem conectar as subestações do Jardim Bandeirantes à unidade da Copel localizada na Avenida Waldemar Spranger, no Jardim Igapó, por meio de uma nova subestação no Jardim Maringá. A polêmica teve início no final de abril, quando moradores dos bairros cortados pelo trajeto de 11 quilômetros de instalação das linhas descobriram que os superpostes não serviriam para iluminação pública, mas para conduzir energia por linhas de alta tensão para até 35 mil imóveis.
O secretário de Obras do município, Sandro Nóbrega, disse que a administração tem posição contrária à instalação e que conversará com o governo estadual para estudar um trajeto mais adequado.
A Copel informou, por meio de uma nota divulgada pela assessoria de imprensa, que a implantação da linha de transmissão levou em consideração aspectos técnicos, socioambientais e econômicos mais adequados à população. Segundo a companhia, na época dos primeiros estudos, em 2005, mesmo depois de consultas ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), chegou-se ao consenso de que o trajeto pela PR-445 apresentaria uma série de interferências, como a relocação de redes de alimentadores de distribuição, a adequação do projeto com trincheiras e alças de contornos viários. Isso encareceria a obra.
Ainda segundo a nota, o traçado foi elaborado por técnicos da Copel com a anuência do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O prazo protocolado na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é para finalizar a obra até dezembro deste ano. As linhas devem custar R$ 7,6 milhões.


