Moradores negociam financiamento da CEF
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Lucilia Okamura 
Mário CésarNegociaçãoGerente Bachmann: plantão no localFuncionários da Caixa Econômica Federal (CEF) e da administradora Mendes Neto começaram, ontem de manhã, a atender moradores do Residencial Jardim das Américas para efetuar o financiamento dos imóveis. Localizado na zona norte de Londrina, o Jardim das Américas foi construído em 1992 e somente agora está sendo possível realizar o financiamento através de um acordo entre a CEF, a Construtora Santa Cruz e a Técnica Engenharia.
O Jardim das Américas é formado por 1.424 unidades habitacionais - um dos maiores de Londrina. Os apartamentos, de dois e três quartos, começaram a ser ocupados em 1994. Por causa de pendências judiciais, não foi possível que os moradores assinassem contratos de compra e venda. Em vez disso, foi feito um contrato de outorga de opção de compra, e cada morador paga uma taxa administrativa pelo direito de morar no apartamento, como explica Manoel Motta Neto, sócio-proprietário da Mendes Neto (administradora do condomínio).
Para efetuar o financiamento, os moradores devem se dirigir ao escritório montado no Residencial e negociar previamente com funcionários da administradora. O interessado recebe o extrato do que foi pago até agora, são apresentadas as condições para efetuar o financiamento e esclarecidas dúvidas sobre a relação de documentos necessários. Depois de aprovado, o morador precisa apresentar um kit de documentos, damos uma pré-conferida e em seguida ele passa para a CEF, onde é explicado o financiamento, relata Motta Neto.
O financiamento será de até 100% do valor de avaliação atual do imóvel, feito pela área de engenharia da CEF. O gerente de mercado da Caixa, Roberto Luiz Bachmann, explica que os apartamentos custam entre R$ 15,7 mil e R$ 20,8 mil, dependendo do tamanho e da localização.
Mário CésarExigênciasAdministrador Motta: documentos
Roberto Bachmann ressalta que a avaliação foi feita in loco e não está relacionada com a pendência judicial. O valor referente às taxas administrativas pagas até agora não será deduzido do total do financiamento. O morador terá de negociar diretamente com a construtora. Imagino que as construtoras não vão buscar valores aviltantes porque o mercado não irá absorver.
Roberto Bachmann informa que os mutuários irão pagar prestações entre R$ 170,00 e R$ 225,00 durante 240 meses. Para conseguir o financiamento, os moradores precisam ter renda mínima entre R$ 680,00 e R$ 900,00 (dependendo do valor do imóvel), entre outros requisitos. A expectativa, segundo ele, é de conseguir negociação com todos os moradores.
Roberto Bachmann acredita que a negociação dos moradores deve estar concluída em três meses. Se for necessário, iremos prorrogar o prazo. Uma equipe composta por seis funcionários e um gerente da Caixa está trabalhando de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30.
Segundo Motta Neto, 1.200 apartamentos estão ocupados. Esses moradores, que estão pagando a taxa ou depositando o valor em juízo, terão prioridade na negociação para financiamento.
Pela manhã, poucos moradores do residencial Jardim das Américas procuraram o escritório montado pela CEF no local para efetuar o financiamento dos imóveis. A maioria saber mais detalhes sobre o processo.
O técnico em eletrônica Henrique César de Andrade mora com a esposa em um apartamento do residencial desde 1994, pagando uma taxa administrativa mensal (uma espécie de aluguel) de R$ 157,00. Ele conta que resolveu procurar o escritório porque ficou sabendo do financiamento através da imprensa. Henrique de Andrade está otimista: Acho que vou conseguir.
Uma das dúvidas de outro morador do residencial, o cabeleireiro Wagner Amadeu Castilho, era saber se o que ele pagou até agora em taxas administrativas seria abatido no contrato de financiamento. Mesmo que tudo que paguei fique perdido, eu sou obrigado a ficar porque não dá para começar de novo. Ele paga cerca de R$ 160,00 por mês.
O cabeleireiro mora no residencial há cerca de três anos e meio e acha que o financiamento demorou muito para sair. Eles (construtora) falaram que a gente ia pagar no máximo dois anos e depois sairia o financiamento.


