Moradores negam compra de lotes
Enquanto a equipe da Cohab desmontava o barraco na quadra 03, data 14, no Maracanã, a cabelereira Maria Lúcia Florentino Claudino, 34 anos, chorava. Ela confirmou que não havia ninguém morando no local, mas garantiu que a situação é provisória, até conseguir juntar o suficiente para melhorar seu barraco.
Lá não tem nem banheiro e eu não tenho dinheiro para comprar uma cama. Tudo que tem aqui dentro é da minha mãe. Não podia viver lá com meus filhos, alegou. Maria Lúcia tem cinco filhos (entre cinco e 13 anos).
No barraco, havia apenas uma carcaça de geladeira, um pequeno móvel quebrado e um tanque. A cabelereira contou que comprou o lote por R$ 800,00. Vendi uma moto que eu tinha. Agora fiquei sem nada, acrescentou. Ela garantiu que não sabia que o comércio era ilegal.
A mesma história é contada pelo bóia-fria desempregado Armando Seiboth. Ele comprou um lote no João Turquino por R$ 500,00 e construiu um barraco para morar com os filhos de 10 e 11 anos. O barraco foi derrubado ontem e quando ele buscou explicações na Cohab foi informado de que a casa estava abandonada. Eu passo o dia todo na rua tentando arrumar um trabalho e ganhar um pouco de dinheiro para manter meus filhos, justificou.
Segundo a Cohab, Maria Lúcia tem uma casa no Jardim União da Vitória (zona sul), que está sub judice. A casa estava vazia e tinha sido colocada à venda, acabou sendo ocupada por outra família que agora disputa a posse do imóvel.
Suspeita também é a situação de Seiboth, segundo informações da Cohab. Ele e os filhos estão morando em um lote próximo ao barraco que o bóia-fria diz ser dele e a Cohab derrubou. Seiboth afirmou que o suposto dono da casa cedeu o local até ele melhorar o seu. Mas a Cohab tem provas de que ele comprou os dois lotes.





