Moradores não querem carceragem no 3º DP
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Uma reunião hoje à noite na Escola Kazuko Ohara vai discutir a reativação da carceragem do 3º Distrito Policial (DP), localizado no Jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina). Os moradores da região estão preocupados com a segurança, principalmente de alunos e professores, já que apenas um muro divide as celas do distrito do pátio da escola. As oito celas, que estavam desativadas há dois anos, estão sendo reformadas e devem receber presos em um mês.
Para o delegado-chefe da cidade, Jurandir Gonçalves André, não vai haver risco para a população. ''Emergencialmente, nada impede se abrigar presos ali até que a Casa de Custódia seja construída'', afirmou. Mas os moradores vizinhos do DP não pensam assim: ''Nós já enfrentamos fugas de presos anteriormente e depois de muita luta conseguimos a desativação. Não podemos deixar agora que as celas sejam reativadas'', protestou a diretora da escola, Enedimea Regina Martins Rodrigues.
''Quando saiu a notícia, os alunos já vieram perguntar preocupados. Queremos eliminar o problema de vez'', apontou Enedimea. Segundo ela, a comunidade toda vai se unir para mostrar que não quer os presos ali.
Noeli Maria Ricardo tem um filho de 9 anos na escola e é integrante da Associação de Pais e Mestres (APM). ''Quando tinha rebelião os pais ficavam desesperados e virava aquele tumulto. Até porque as fugas geralmente aconteciam na hora do recreio'', recordou.
Quem também não esquece das fugas é Neusa Aparecida Bom de Almeida. Seu filho Thiago estudou na escola e contou que já viu três fugas. ''Eles passavam correndo pelo pátio e chegaram a bater no inspetor antes de ir embora'', relatou o menino. Neusa acrescentou que os detentos em fuga passam muitas vezes nos quintais das casas, ameaçando os moradores.
O delegado-chefe esclareceu que o distrito irá abrigar mulheres, que seriam menos perigosas. Hoje elas estão alojadas no 4º DP, que também vai passar por reformas. No 3º DP existem oito celas com capacidade para quatro presos cada. ''Fui delegado do 3º distrito em duas gestões e jamais tive situação que trouxesse risco para os alunos. Eu entendo que não há problema'', defendeu André.


