Moradores não pagam prestações
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Gilmar Agassi Equipe da Folha 
Cascavel - As 30 famílias que foram transferidas há três meses para as casas populares do programa de desfavelamento Minha Casa da Prefeitura de Cascavel estão tendo dificuldades para pagar a taxa mensal de R$ 27,00 estipulado no contrato entre as partes. A Companhia Habitacional de Cascavel (Cohavel) registrou nesse período uma inadimplência de 50%, o que tem preocupado o poder Executivo que não descarta a possibilidade de ingressar na Justiça para receber a dívida.
O presidente da Cohavel, Juarez Berté, esteve visitando o local na última semana para conversar com os moradores e explicar sobre a importância da efetivação do pagamento da taxa mensal. Ele observa que a maioria dos inadimplentes realmente não tem condições de pagar o valor. Mas sabemos que alguns têm condições e não pagam. O pagamento é uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, frisa.
Berté diz que o município está estudando mecanismos para a implantação de um programa que vise colocar membros dessas famílias no mercado de trabalho. Ele entende que a formação profissional dos menos favorecidos é uma obrigação do governo.
O presidente da Cohavel adiantou que a princípio a prefeitura tentará conversar com os moradores para ajudá-los a encontrar formas de saldar as prestações. Entretanto, ele não descarta a possibilidade de uma execução judicial.
A dona-de-casa Solange Gomes mora com o marido e três filhos em uma das casa do programa. Ela diz que antes, apesar de morar em um barraco em um fundo de vale, não existia preocupação de pagar pela moradia, por isto estão com muitas dificuldades. Meu marido trabalha como pedreiro. Tem mês que o dinheiro que ele ganha é pouco até para a comida das crianças, lamenta.
Já Maria da Luz Teodoro reconhece que está sem pagar os R$ 27,00 desde que passou a morar no local. Ela conta que seu marido só conseguiu emprego nos últimos dias depois de ficar três anos desempregado. Para se sustentar, ela cultiva uma pequena horta no fundo de sua casa. A gente não fica sem pagar porque quer. Agora que meu marido está trabalhando vamos acertar tudo, promete.


