Moradores mantêm jardim no Ribeirão Cambé
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Passeios às margens do Ribeirão Cambé, especificamente em um trecho da Rua Joaquim de Matos Barreto, no Jardim Maringá (Zona Oeste de Londrina), estão mais agradáveis há cerca de cinco anos, graças à iniciativa de um morador da região. Desde que se mudou para o local, o aposentado José do Prado de Oliveira mantém um jardim com flores, como beijinhos e orquídeas, às margens do ribeirão, contribuindo para a limpeza e preservação do ambiente.
O ribeirão apresenta água contaminada e tem, em determinados trechos, forte mau-cheiro. A iniciativa do aposentado, no entanto, partiu da própria vocação para a ecologia. ''Quando me mudei para cá, vi que no ribeirão poderia matar a minha vontade de ter um local do qual pudesse cuidar'', contou, lembrando que já iniciou a formação de três bosques, em regiões diferentes do Estado - um deles em Londrina, no Vale das Acácias, no Jardim Cafezal (Zona Sul).
Os trabalhos, realizados com ajuda da esposa Simei Rocha de Oliveira e de vizinhos, começaram com a retirada de lixo e entulho acumulado no ribeirão. ''Tiramos 12 sacos com 100 litros de lixo cada um'', lembrou ''seo'' Prado. O aspecto do local, segundo ele, já começou a melhorar e até o mau-cheiro diminuiu.
Os passos seguintes atenderam um pedido de dona Simei, que desejava plantar beijinhos às margens do córrego. ''Plantamos algumas mudas e logo percebemos que, se continuássemos com o serviço, o lugar iria ficar muito bonito'', afirmou Simei.
Hoje, o casal de aposentados mantém, além dos beijinhos, várias outras espécies de flores. Até peixes foram soltos no ribeirão, em uma pequena represa construída para aumentar o volume de água. A construção de um quiosque foi o último empreendimento de Prado. A cobertura foi incrementada com mesas e bancos cedidos pela prefeitura. ''As pessoas estão começando a aproveitar, trazendo os filhos para fazer lanches aqui'', comentou Prado.
O trecho preservado, no entanto, é pequeno e os reflexos da iniciativa não podem ser sentidos em toda a extensão do ribeirão. ''O que a prefeitura pode fazer é canalizar o córrego. Isso já ajudaria muito, pois evitaria o desmoronamento das margens em dias de chuva'', sugeriu Prado, sem saber que tal obra é proibida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''Temos projetos para a construção de calçamento e para manutenção do local, o que deve ser feito no ano que vem'', afirmou o secretário de Obras, Aloysio de Freitas. ''Mas a canalização é proibida'', ressaltou.
Segundo o chefe regional do IAP, Ney Paulo, as margens do Ribeirão Cambé são de preservação permanente e, portanto, não podem ser mexidas. ''O ideal é que as pessoas que tiverem interesse em cuidar de margens de ribeirões procurem o IAP para orientações. Sem uma autorização, qualquer interferência em uma faixa de até 30 metros das margens de ribeirões é crime passível de multa'', avisou.


