Curitiba - Juarez Ribeiro Baptista tem 49 anos e as mãos sujas de barro. Da sua propriedade no bairro da Caximba, em Curitiba, onde mora e trabalha, quando olha pela janela ou sai no quintal tem como vista, ao fundo, o Aterro da Caximba. Baptista viveu seu quase meio século de vida bairro e lá construiu o que tem. É proprietário de uma olaria, na qual emprega outras cinco famílias que também moram no bairro. Ele diz que acaba de investir R$ 500 mil em novos equipamentos - mais modernos e menos poluentes.
A possibilidade de que o novo aterro comece a funcionar em seu quintal o assusta profundamente. O seu medo é ter de deixar tudo para trás. O mesmo acontece com outros moradores da Caximba, já habituados - mas não acostumados - a conviver com as mazelas do lixo. O impacto negativo do montante de lixo também assusta.
De acordo com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a Caximba tem 2.857 habitantes. Eles se organizaram em uma associação de moradores para evitar que o aterro sanitário ''só mude para o outro lado da rua'', como diz Jadir de Lima, morador da Caximba e membro da comissão organizadora das manifestações contra a implantação da usina. Segundo ele, os moradores prometem resistir. ''Podem até tirar a área de nós, mas vamos vender caro'', metaforiza, não se referindo a dinheiro.
Entre as três áreas que podem receber a partir do ano que vem o lixo das 16 cidades que fazem parte do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos, os moradores da Caximba são os mais organizados. Faixas de protesto nas casas são indícios. Também já organizaram atos contra o lixão. (T.A.)

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