Londrina

Josoé de CarvalhoReceioAdão Barreto, em frente ao residencial: ‘Estamos com medo de perder todo o dinheiro investido’O advogado Nei Repiso - em nome de 25 compradores de apartamentos - deu entrada ontem no Fórum de Londrina com uma ação criminal contra os diretores da Cooperativa Habitacional Bandeirantes (Cohaban), Francisco Hirata (diretor presidente), e Odilo Panício (diretor administrativo).
O advogado considera que o moradores do residencial Santos Dumont, na zona leste da Cidade, estão sendo vítimas de irregularidades e crimes praticados pela Cohaban, uma cooperativa não governamental que comercializa imóveis financiados com recursos públicos em Londrina há décadas.
No mês passado, o mesmo advogado e o grupo de moradores conseguiram liminar suspendendo o pagamento das parcelas da poupança - entrada para aquisição de imóvel - até que a Cohaban apresente na Justiça documentos que comprovem o compromisso de compra e venda dos apartamentos e os recibos das prestações já pagas por cerca de 270 compradores. A liminar foi concedida pelo juiz da 6ª Vara Cível, Celso Saito Seikiti.
No despacho da liminar, o juiz considerou que os moradores estavam sob perigo de sofrer prejuízos e que, por isso, podiam suspender o pagamento das parcelas, débitos e títulos - promissórias, cheques pré-datados etc. - em poder da Cohaban, até que a cooperativa apresente os contratos de compra e venda e demais documentos.
Segundo Nei Repiso, a Cohaban já juntou ao processo os documentos, mas eles estariam incompletos e com irregularidades. ‘‘Os documentos apresentados são unilaterais, assinados apenas pelos diretores da Cohaban, e não pelos meus clientes compradores. Não há nenhuma consistência na documentação entregue pela cooperativa e, por isso, vou pedir ao juiz impugnação desses papéis’’, comenta o advogado de acusação.
Os compradores de apartamentos no Santos Dumont, organizados pelo vendedor Adão Umpierre Barreto, procuraram o advogado e entraram na Justiça contra a Cohaban porque não receberam os recibos dos pagamentos, nem foram encaminhados à Caixa Econômica Federal (CEF), conforme o prometido, para o acerto do financiamento.
‘‘Estamos lá há meses, alguns há mais de um ano, e a Cohaban não esclarece a situação. Não entrega nossos contratos de compra, não repassa os recibos. Estamos com medo de, a qualquer momento, perder todo o dinheiro investido’’, afirma Barreto.
O Santos Dumont foi financiado pela Cohaban junto à CEF, através de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). São 486 apartamentos de 48 metros quadrados cada um, divididos em 17 blocos. Eles foram levantados pela Construtora Khouri, que terminou as obras em abril de 1992.
Até maio de 96, a comercialização dos apartamentos estava suspensa pela Justiça, sob denúncia de superfaturamento ocorrido na época do governo do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello.
Pelo financiamento, a Cohaban tem uma dívida atualizada de R$ 27,215 mil. Também com base em valores aumentados com juros e correção monetária desde a contratação da obra - janeiro de 91 -, cada apartamento estaria valendo hoje cerca de R$ 56 mil. Segundo o gerente de mercado da CEF, Roberto Backmann, esses valores estão fora da realidade de mercado e passam por estudos e redimensionamento.

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