Trouxas de roupa suja, acumuladas desde segunda-feira passada, quando a Sanepar interrompeu o fornecimento de água de cerca de 20 famílias do Conjunto José Belinati, zona norte de Londrina, foram lavadas ontem por moradores em frente ao prédio da Sanepar, na Avenida Higienópolis, área central.
O protesto surtiu o efeito desejado pelos moradores, que foram até a sede da empresa em um ônibus fornecido pela associação. A Sanepar prometeu religar a água e instalar novamente os cavaletes nas casas dos inadimplentes. Entretanto, o desligamento pode acontecer novamente se os moradores não pagarem pelo menos um pouco da dívida, alertou a direção da companhia.
O presidente da Associação de Moradores, Aldemiro Santos, disse que se fosse preciso ele imploraria para que a água fosse religada. ‘‘Um bem como esse não se pode cortar’’, insistiu. Segundo Santos, A situação das famílias que ficaram sem água só não chegou ao desespero por causa dos vizinhos, que ‘‘quebravam o galho, emprestando água para cozinhar e beber’’. O presidente da associação ficou satisfeito com o acordo com a Sanepar e disse que as famílias querem pagar suas contas, mas espera preço e prazo justos.
O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, prometeu estudar todos os casos individualmente para renogociar as dívidas acumuladas por até dois anos. Em alguns casos, o débido chega a mais de R$ 1 mil.
A proposta inicial do presidente da associação, de regularizar os atrasados pagando R$ 5,00 por mês, foi rechaçada por Kishima. ‘‘Levaria até 16 anos para pagar’’, desconsiderou o gerente. Kishima conseguiu que Santos se comprometesse a levar os inadimplentes até a Sanepar, para tentar uma negociação nos próximos dias.
Segundo o gerente da Sanepar, o prazo de 36 meses que a companhia deu para que as dívidas fossem quitadas pode ser revisto, depois que os casos forem analisados especificamente.
Na opinião de Kishima, algumas famílias não controlam o gasto com a água. Ele questionou o caso do servente de pedreiro Clayton Willian Ferreira, 23 anos, que tem uma conta de R$ 70,00 mensais. O rapaz também questionou o valor cobrado. Para ele, o marcador da água não deve estar aferido corretamente.
Na conta mensal de Ferreira, e também de outros inadimplentes, além do gasto do dia-a-dia, vem cobrada a dívida antiga, parcelada em 36 meses. ‘‘Tenho que pagar R$ 180,00 para a Sanepar e ganho, quando arrumo trabalho, R$ 180,00. Não vou conseguir pagar essa dívida nunca’’. A conta acumulada dele, desde 1999, é de R$ 1.115,00. Ferreira é casado, tem dois filhos e a esposa está grávida de oito meses.
Segundo Kishima, os moradores poderiam se beneficiar da tarifa social, requerida por quem consome até dez metros cúbicos de água (R$ 4,50), ganha até dois salários mínimos e mora em casa com menos de 60 metros quadrados.
O gerente da Sanepar recomendou também que os moradores instalem caixa de água nas residências. Com a taxa do esgoto, de R$ 2,25, a tarifa social chega a R$ 6,75. O consumo mínimo, para quem não se beneficia da tarifa social, é de R$ 22,05, com água e esgoto incluídos.

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