Moradores lamentam situação
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quinta-feira, 05 de outubro de 2000
De Curitiba 
O agricultor Cezinando Macuco, 58 anos, saiu de sua casa há nove anos, em Rio das Pedras. Ele viu sua pequena produção de milho, feijão e erva-mate transformar-se em mina de xisto betuminoso. Transferido para a localidade de Rebouças, precisou mudar-se novamente, pois a mulher, Leonilda Macuco, não se adaptou à nova moradia. Meu coração doeu quando tive que sair do lugar em que nasci. Se fosse por vontade própria nunca deixaria minha casa, mas fui obrigado, lamentou.
Macuco não lembrou o valor recebido pela indenização. Não foi fácil arrumar outro lugar com o que ganhei, afirmou. Prejudicado pela inflação da época, precisou de 40 dias para conseguir um novo lugar. Não deixaram eu levar alguns pinheiros e eucaliptos que plantei e a primeira coisa que fizeram foi passar a motosserra nas árvores, afirmou.
Moradora próxima à área explorada pela Petrobras, Natália Kiatkowski, 73 anos, está triste por ter que trocar de casa. Não sei se irei me adaptar a um novo lugar. Talvez more com a minha filha, mas sinto tristeza só em pensar que irei deixar a casa em que sempre morei.
As cinco primeiras desapropriações, iniciadas na década de 70, expandiram as minas da Petrobras, mas também deixaram, segundo os moradores de Rio das Pedras, histórias de depressão provocadas pela migração forçada.
Se antes existisse um movimento que unisse as pessoas, muita gente conseguiria um lugar melhor do que está hoje, concluiu Macuco. (J.C.L.)


