Ontem foi uma manhã movimentada na Prefeitura de Londrina. Por volta de 10 horas um grupo de moradores do Jardim Kobayashi, Zona Sul, invadiu o gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT) para pedir asfalto para duas ruas do bairro. Anteontem os moradores interromperam o tráfego de uma das vias do bairro como forma de protesto. ''Como ninguém foi até lá viemos até o prefeito'', disse a dona-de-casa Valquíria Fernandes de Paula, de 28 anos. O prefeito não estava no prédio.
Até o cachorro de um dos manifestantes circulou pelo gabinete. ''Com o dinheiro que colocaram pedriscos nas ruas, dava para fazer uns três asfalto'', indignou-se Alves. Somente após duas horas de espera pelo prefeito, o grupo aceitou formar uma comissão de sete pessoas que discutiu por mais uma hora a situação com o presidente da Companhia de Habitação (Cohab), Carlos Eduardo Afonseca e Silva, e com o assessor de relações comunitárias da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), Carlos Xavier.
Segundo o presidente da Cohab, já existe um orçamento da obra, mas os recursos ainda não foram alocados. ''Os moradores me disseram que o prefeito tinha prometido a realizar a pavimentação com recursos do município, mas como não estive nas outras reuniões não posso confirmar'', alegou Silva. De acordo com o presidente da associação de moradores, Marcos dos Santos, Silva teria se comprometido a marcar uma reunião com o Nedson para a próxima semana. ''Se não acontecer nós vamos parar tudo'', afirmou Santos.
Minutos antes da invasão, cerca de 80 pessoas do Jardim Colúmbia, Zona Oeste, também estiveram na prefeitura para pedir pavimentação. Com faixas e cartazes eles percorreram o prédio até a sala do prefeito. Depois de constatarem que Micheleti não estava, os moradores foram recebidos pelo secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas.
A revolta da comunidade é porque sem asfalto as ruas ficam intransitáveis em dias de chuvas. ''Mesmo hoje (ontem) o motorista do ônibus não queria entrar lá'', contou a presidente da associação de moradores, Vanda Teixeira, de 43 anos.
Segundo o secretário de Obras, o projeto de pavimentação do Colúmbia B e C, que ficaria em R$ 3,4 milhões, foi encaminhado para o governo do Estado, porém não foi aprovado. ''O Colúmbia não tem a índice de ocupação superio a 50%, exigido pelo programa Paranacidade. Portanto, a liberação dos R$10 milhões vai para o asfalto de outros seis bairros.''
O bairro tem 27 anos e não segue o Plano Diretor de 1998 que reserva áreas públicas para construção de escolas e áreas de lazer, além de determinar que para contrução de um loteamanento é necessária a pavimentação. O ex-predisidente da associação Felício de Andrade, de 60 anos, relatou que há falta de casas porque muitas pessoas compraram terrenos no local, mas moram no centro. ''Cerca de 70% do Colúmbia B está nesta situação'', disse.
Um alternativa colocada pelo secretário foi refazer o mapa das localizações das casas considerando os projetos que estão em fase de aprovação na prefeitura. ''Vamos ver se assim podemos aumentar este índice'', contou Freitas. Ele também lembrou que o secretário do Estado de Desenvolvimento Urbano, Renato Adur, tentaria mudar alguns critérios do programa junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que repassa os recursos.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que Micheleti teve compromissos fora do prédio e não pôde atender os moradores.

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