Alexandre Sanches
De Londrina
Os moradores da Rua Paulo Ponte, no Parque das Indústrias Leves (zona sul), em Londrina, interditaram ontem os portões dos fundos do prédio onde funcionava a Lavanderia Soft Stone. Eles acusam a empresa de causar problemas ambientais.
Conforme os moradores, caminhões-pipa descarregam água suja e resíduos numa sisterna do prédio. A descarga é feita na rede de esgoto da Sanepar. Além do mau cheiro exalado da água, os moradores reclamam que o barulho dos caminhões - que param na rua a cada duas horas - é insuportável.
O marceneiro Reginaldo Nalim, 23 anos, disse durante o protesto que a empresa foi fechada em maio deste ano, após reclamações dos moradores. No dia 17 daquele mês, os moradores fizeram um abaixo-assinado e obrigaram a empresa a apressar a mudança para Cambé, por causa da poluição sonora - a empresa funciona 24 horas por dia - provocada pelo barulho das máquinas e do movimento de carretas que transportavam água para a lavanderia dia e noite.
Na época, um acordo entre a empresa e os moradores definiu a mudança até o dia 20 de junho. Porém, a lavanderia continua a jogar os resíduos industriais na rede de esgoto. ‘‘O barulho é insuportável, pois os caminhões ficam boa parte do tempo com o motor ligado’’, comentou Nalim.
Ele garante que apesar da mudança da empresa, há 15 dias os resíduos são despejados na sisterna do prédio, com os caminhões chegando no local a cada duas horas. ‘‘É comum os dejetos transbordarem com o esgoto doméstico, indo parar na rua’’, reclamou a dona-de-casa Jéssica Maria de Lima, 35 anos. ‘‘Esta água possui uma química muito forte e fede’’, acrescentou Francisco Norberto de Souza.
Cansados de esperar por uma resposta dos órgãos fiscalizadores, os moradores colocaram fogo em pneus e objetos no portão dos fundos da empresa, impedindo o acesso das carretas. Por volta das 15 horas de ontem, o proprietário da lavanderia, Jairo Alves Martins, esteve no local. Acompanhado do gerente Luís Antônio Siloto, Martins tentou negociar com os moradores a descarga de uma carreta.
Sem sucesso, o proprietário decidiu que a descarga seria feita com os caminhões estacionados na Rua Guilherme de Almeida, que é marginal da PR-445, do outro lado da empresa. A mudança, porém, exige o acionamento da bomba de recalque para que os dejetos sejam jogados na sisterna. Com isso, os moradores passam a enfrentar outro problema: o barulho contínuo da bomba.
‘‘Não temos outra solução. Precisamos fazer isso até o dia 15, quando ficarão concluídas os tanques de tratamento dos dejetos na empresa em Camb钒, argumentou Martins. Segundo o empresário, ele possui autorização da Sanepar para jogar os dejetos na rede de esgoto para ser tratada. ‘‘Não podemos jogar direto nos rios, poluindo as águas. Por isso jogamos desta forma’’, justificou. Ele disse ainda que na empresa em Cambé, na marginal da PR-445, não tem rede de esgoto.
O gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, disse ontem que a empresa tem conhecimento que a lavanderia está jogando dejetos na rede de esgoto. ‘‘Nós condicionamos que poderia jogar ali, desde que a empresa fizesse um primeiro tratamento dos resíduos, que possuem material pesado e não podem ser jogados diretamente nos rios ou nas estações de tratamento de esgoto’’, explicou.
Kishima informou que ontem mesmo uma equipe da Sanepar esteve no local verificando se a empresa está cumprindo com o que foi estipulado e se há problemas de vazamento nas ruas.Lavanderia usa sisterna de prédio que desocupou recentemente para descarregar dejetos; mau cheiro e barulho revoltam vizinhos
Dorico da SilvaMoradores vizinhos de prédio onde lavanderia faz descarga de dejetos impedem acesso de caminhão com fogo; abaixo, um dos moradores conversa com o gerente da empresa Luís Antônio Siloto

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