Moradores insistem em manter nomes não oficiais
Dimmi Endris? Que eu saiba é nome de rua, essa aqui da frente, explica o empresário Roberto Teixeira, dono do Mercadinho Teixeira, que fica na rua clandestina Jimmi Hendrix, no Jardim Alto Bela Vista - um vilarejo, dentro da Vila Conquista, no bairro Cidade Industrial de Curitiba. Fã da música sertaneja - tipo Zezé de Camargo e Luciano, que sonorizava o estabelecimento -, o comerciante não sabia quem era o ilustre agraciado da placa de rua presa na parede do mercado. O nome dela foi dado pelos primeiros ocupantes da área e foi escolhido numa votação. Me falaram que foi um músico, diz.
Realmente foi músico, um roqueiro que era conhecido e morreu cedo, explica Moisés Santana, presidente da Associação Jardim Alto Bela Vista. Ele conta que o nome do cantor e de outros vários personagens do bairro foram escolhidos numa votação entre os moradores. Entre eles estão Cazuza, Freddie Mercury, ACDC, Tancredo Neves, Machado de Assis e Presidente Dutra.
Isso aconteceu em 1990, quando o pessoal começou a chegar no local, diz, eufemisticamente referindo-se à invasão. Para batizar a rua, foram formados grupos que apresentaram sugestões. Tinha gente que gostava de música, livros e outros conheciam um pouco da história e deu nisso, explica Moisés, que é uma das poucas pessoas a conhecer a formação da rua.
Hoje, esses nomes não oficiais servem para que o poder público se oriente no bairro. A polícia, Copel e Sanepar se baseiam nas placas postas pelos moradores para chegar nas casas, porque é mais fácil que seguir as denominações feitas com o alfabeto. Agora que estamos terminando de regularizar os lotes com a prefeitura, queremos que esses nomes permaneçam aqui e não sejam mudados, como fizeram em outras ocupações, pede o presidente da associação. E se mesmo com o nosso pedido mudarem o nome, vamos ser teimosos mantendo as placas que os primeiros moradores colocaram. (I.R.)





