Altônia - Moradores de Altônia (76 km a sudoeste de Umuarama) iniciaram uma campanha para o município romper o contrato de concessão com a Sanepar e assumir o serviço de água e esgoto. Segundo um dos líderes do movimento, Osvaldo Herrera, a população está revoltada com os altos preços cobrados pela companhia, principalmente para coleta e tratamento dos esgotos domésticos, fixados em 80% do valor da conta de água. ''As autarquias municipais de água e esgoto cobram até 50% menos por serviços tão bons quanto os prestados pela Sanepar'', afirma Herrera.
Como Altônia, vários outros municípios paranaenses estão aproveitando o vencimento dos contratos de concessão com a Sanepar para avaliar a possibilidade de assumir os serviços. Paraíso do Norte já aprovou uma lei municipalizando o saneamento. Em Cidade Gaúcha, vereadores e outras lideranças da cidade estão de olho no contrato da Sanepar, que vence em 2005, e também podem iniciar uma campanha pela municipalização. Ano passado, o município aprovou uma lei reduzindo a taxa de esgoto para 30% do valor da conta de água e agora aguarda uma resposta da Sanepar.
Altônia também criou ano passado uma lei semelhante, ignorada pela companhia de saneamento. O prefeito Amarildo Novato (PDT) disse que está colhendo assinaturas e pretende ingressar com uma ação judicial para tentar obrigar a Sanepar a reduzir a taxa de esgoto no município. O prefeito considera a municipalização inviável a curto prazo porque o contrato com a Sanepar foi prorrogado até 2009. ''Além disso, o município teria de dispor de recursos para indenizar a estrutura montada pela companhia''
Independente da posição do prefeito, um grupo de moradores está realizando seminários para esclarecer a população e angariar apoio para a proposta de municipalização. ''O contrato com a Sanepar vence em 2004 e bastará vontade política para o município dispensar a companhia e assumir o serviço'', insiste Herrera.
O gerente regional da Sanepar em Umuarama, Francisco Marques dos Santos, diz que leis municipais dispondo sobre tarifas da companhia são inconstitucionais porque os contratos de concessão transferem essa prerrogativa para o Estado. A lei estadual aprovada pela Assembléia Legistativa reduzindo para 50% a taxa de esgoto também já foi declarada inconstitucional. ''A Sanepar tem de se auto-sustentar e os preços definidos são os necessários para garantir o custeio dos serviços e os investimentos''. Ele sustenta que os serviços municipais são mais baratos porque recebem verbas a fundo perdido para custear projetos. ''
Dos 32 municípios da região de Umuarama, apenas quatro têm autarquias municipais de água e esgoto. O restante é atendido pela Sanepar. Em Mariluz, com 10 mil habitantes, a taxa mínima para consumo até 10 mil litros custa R$ 5,20, menos da metade da tarifa da Sanepar (R$ 13,30). O serviço de esgoto, que atende cerca de 30% da cidade, é de 60% sobre o valor da conta. Os preços estão congelados desde 98 e, segundo o diretor do Samae, Osmar Bertoni, só serão reajustados se a defasagem comprometer o custeio do serviço.

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