Correspondências que não chegam, encomendas entregues no endereço errado e dificuldade para explicar o endereço para amigos e parentes. Um grande transtorno, por um simples motivo: a falta de placas nas vias. Este é o problema que dezenas de moradores dos bairros Terra Nova e José Fávaro, zona leste de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), além dos jardins São Paulo e Alto da Boa Vista, zona norte de Londrina, têm enfrentado. Sem a identificação oficial, muitos deles têm improvisado com pedaços de madeira e até pinturas nos muros para contornar o problema. Recentemente, funcionários da Prefeitura de Cambé iniciaram a instalação de placas em vários bairros.
"É sempre uma grande dor de cabeça. Meu pai é pastor e recebe várias correspondências de outros estados e todas as vezes temos que ir até uma unidade dos Correios buscar, porque os carteiros não acham nossa casa", conta a estudante Rebeka Talita de Oliveira, moradora da Rua José Roberto Cogo, no Jardim José Fávaro. "O jeito que encontramos, por enquanto, foi escrever o nome com grafite no muro. O problema é que nossa casa é alugada e o proprietário já avisou que não quer ver o muro pichado. Ainda não sabemos o que vamos fazer."
"O supermercado onde faço compras nem faz mais entregas aqui no bairro, justamente porque os funcionários não acham o meu endereço e dos outros vizinhos. Já tive que passar o endereço de uma amiga e ir lá buscar depois", confirma a vendedora autônoma Juliana Correira de Souza Gomes, moradora da Rua José Raminelli, também no José Fávaro.
Na casa da agricultora Maria do Carmo de Oliveira, na Rua Palmira Pagoti, localizada no mesmo bairro, a placa improvida pelo filho em um pedaço de madeira demonstra a indignação da família pela demora da instalação das lâminas. "Não dava mais para esperar, são 12 anos aguardando uma providência. As pessoas nunca encontravam nosso endereço. Meu genro deu a ideia e resolvemos fazer", destaca.
Nas ruas Arco-íris e Sol Nascente, no Jardim Terra Nova, o pedreiro Márcio Lopes, conta que o problema se repete. Ele mora há dois anos na esquina das duas ruas e salienta que nem se lembra mais do número de vezes que já teve que parar suas atividades para ajudar carteiros ou entregadores que acabam ficando perdidos. "Está bem complicada a situação, nossa esperança é que resolvam o problema logo."
A professora Suely Volpato, moradora do Alto da Boa Vista há cerca de 10 anos, conta que o incômodo é tamanho que sempre passa uma referência. "Já dou o endereço da escola que tem aqui perto, porque pelo menos todo mundo conhece. É o único jeito", afirma.
A dona de casa Cleusa Delfino, moradora da Rua Pompeu Soares Cardoso, no Jardim São Paulo, conta que seu filho costuma desenhar um mapa para os amigos e familiares. "Chega a ser engraçado, mas é a forma que encontramos. Do jeito que estava, ninguém ia encontrar nossa casa", completa.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informou, por meio da assessoria de imprensa que não está realizando nenhum serviço de manutenção e instalação de placas em Londrina. Ainda segundo a assessoria, ainda não sabe se esta atividade seria de responsabilidade da CMTU ou exclusivamente da Secretaria de Obras.
Já o secretário Sandro Nóbrega informou que ainda não existe nenhum projeto, nem previsão de instalação de placas no município até o fim do ano. Porém, afirmou que levantaria a situação dos bairros citados e dos casos mais urgentes para verificar a possibilidade de iniciar o trabalho.

Fabricação própria
Em Cambé, o secretário municipal de Assuntos Comunitários, Haroldo Caminotto, afirmou que 40% dos bairros (42 localidades) já foram contemplados com a instalação de aproximadamente quatro mil placas. Segundo ele, outras 6 mil unidades devem ser instaladas em bairros como o Terra Nova e José Fávaro, até o fim do ano. A instalação teve início no segundo semestre do ano passado e o investimento da prefeitura para a confecção do material é de cerca de R$ 50 mil, segundo Caminotto.
As lâminas de identificação estão sendo anexadas em postes de iluminação. Segundo o secretário, as placas são confeccionadas por uma equipe da própria prefeitura. "Percebemos que a opção mais em conta e de aplicabilidade permanente seria a aquisição de uma máquina de confecção das placas ao invés de manter uma empresa licitada realizando o serviço", disse.

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