Moradores improvisam para vencer rio
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Carina Paccola 
Marcos BorgesRiscoSem a opção da ponte, que caiu no sábado, muitos moradores preferem se arriscar e transpor o ribeirão com auxílio de cordaCom a queda da ponte que liga a localidade da Usina Três Bocas à rodovia José Alves da Rocha Loures (zona sul), os moradores que tiveram suas casas ilhadas já estão improvisando meios para transpor o ribeirão Três Bocas, próximo à barragem da usina. A ponte caiu no sábado à noite. Para sair da localidade, a única opção agora é uma estrada de terra com 10 quilômetros de extensão, distância que os moradores não parecem muito dispostos a enfrentar.
No início da tarde de ontem, dois homens usaram uma corda para atravessar o ribeirão. Outra alternativa, também arriscada, é o bote do Dito que está transportando pessoas que moram acima da barragem. O Dito, José Benedito Moreira, mora na margem do ribeirão poucos metros acima da barragem. Ele já tinha decidido que não levaria ninguém no bote, mas acabou cedendo aos apelos dos moradores que chegam à margem e gritam seu nome. Dá medo porque o bote não é muito seguro, mas a gente vai quebrando o galho, diz. Ele não contabilizou quantas pessoas já levou no bote mas sabe que foram muitas.
Não é a primeira vez que Dito tem que usar o bote para transportar moradores da localidade. Em 1990, quando a antiga ponte de madeira rodou rio abaixo, foi com ele que a população se virou. Foi quase um ano levando as pessoas de um lado pro outro até a Prefeitura construir essa ponte de concreto, que também já se foi.
Além de querer se locomover para Londrina e redondezas, as famílias - cerca de 80 -, precisam transportar a produção agrícola. Dorival Flóreo mora em Londrina mas tem uma propriedade na Três Bocas, onde planta milho e soja. Segundo ele, o milho da Três Bocas - em torno de 70 mil sacas -, já está em tempo de ser colhido. A soja, que deve somar umas 200 mil sacas entre todos os moradores, deve entrar no período de colheita dentro de 15 dias. Não temos onde armazenar, diz Dorival. Luiz Munareto, em cujo sítio são produzidos diariamente 400 litros de leite, anda 50 quilômetros a mais para entregar o produto na vizinhança.
A Prefeitura aguarda uma avaliação técnica da Copel para saber se é possível baixar o nível da água do Ribeirão Três Bocas. A usina foi desativada há mais de dez anos e, segundo o gerente de manutenção das instalações civis da Copel, engenheiro Miguel Elias, a Companhia está à disposição do Município para avaliar se tem ou não condições de controlar a vazão da água. Técnicos da Copel da usina do Apucaraninha vão avaliar a situação e devem ter uma posição em três dias. Na verdade, a barragem não muda em nada o regime da água a que a ponte está submetida. Sem a barragem, o problema seria o mesmo.
Segundo o engenheiro, quando a ponte foi construída a barragem já estava naquele local. Talvez fosse o caso de ser avaliado se não seria melhor a ponte estar acima da barragem, em outra posição, ou ainda sem o pilar central.
O secretário de Obras de Londrina, José Righi de Oliveira, afirma que a intenção era esperar a água baixar e fazer uma passagem imediata com tubulação, no mesmo local onde estava a ponte.
A solução definitiva - que seria a construção de outra ponte -, deve levar de 60 a 90 dias, de acordo com o secretário. A Prefeitura estava informada há 15 dias de que havia risco de a ponte cair, diz ele. Na semana passada, para consertar a ponte, o custo estava estimado em R$ 3 mil, conta. Os próprios sitiantes estavam se mobilizando para arrecadar o dinheiro entre eles. Agora, pode multiplicar esse custo por dez.


