Moradores impedem início de obra
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segunda-feira, 01 de março de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Pelo menos 70 moradores das 194 propriedades que formam a Chácara São Miguel, na Zona Sul de Londrina, impediram o funcionamento das máquinas da Sanepar, que iniciariam, na manhã de ontem, a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Ribeirão Esperança. Pacificamente, portando apenas faixas, eles optaram por permanecer no local até que a empresa desista da obra. ''Acho um desrespeito fazer às escondidas, sem apresentar estudos ambientais'', declarou o representante comercial Adilson Galante, que visitou outras ETEs e só ouviu reclamações dos moradores vizinhos.
Galante lembrou ainda que existem três ações tramitando na Justiça sobre a construção. ''Todas ainda aguardam decisão da Justiça.'' Conforme o presidente da associação de moradores do bairro, Roberto Aparecido de Assis, a entidade conseguiu, em primeira instância, decisão favorável contra a desapropriação do terreno, mas a Sanepar recorreu.
Ainda na manhã de ontem, o major Julio Richter, do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, visitou o local, onde conversou com os moradores. Ele prometeu conversar com Curitiba para saber como proceder e afirmou que não iria agir com violência se os manifestantes decidissem permanecer em protesto.
O gerente geral da Região Metropolitana de Londrina, Sérgio Bahls, informou que no dia 17 de fevereiro o desembargador Luiz Mateus de Lima, do Tribunal de Justiça, autorizou a Sanepar a iniciar as obras. De acordo com Bahls, a Sanepar requisitou reforço policial para que a decisão judicial seja cumprida. ''Não queremos confronto com ninguém. Contudo, a obra já está com dois meses de atraso e acarretando prejuízos não só à Sanepar, mas às famílias que ainda utilizam fossas sépticas'', justificou.
Conforme Bahls, a Sanepar firmou um Termo de Compromisso com o Município e órgãos ambientais obrigando-se a minimizar todos os impactos ambientais da obra. ''Foram cinco anos de discussão para definir qual a melhor área para a instalação da ETE.'' A obra - orçada em R$ 32 milhões - deve começar a operar plenamente em dois anos e beneficiará 120 mil pessoas. (Colaborou Caroline Vicentini)


