Moradores impedem ação de despejo
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Lucinéia Parra 
Sucursal de Maringá
Marcos NegriniReaçãoMoradores do Residencial Sandra Regina, em Maringá, impedem oficial de cumprir ordem de despejo: 15 famílias foram despejadas do imóvel nos últimos 4 mesesMoradores do Residencial Sandra Regina, em Maringá, impediram na terça-feira que dois oficiais de Justiça fizessem o despejo da inquilina Sandra Eliane Valter Vieira. Os moradores - cerca de 15 pessoas - se organizaram e ficaram na frente do apartamento para impedir a entrada dos oficiais Luiz Henrique Zappa e Osvaldo Nunes Rodrigues.
De acordo com a síndica do Residencial Sandra Regina, Alizete Aparecida Silva Sales, 15 famílias já deixaram os apartamentos nos últimos quatro meses depois terem recebido ordem de despejo. No mês passado, um grupo de mutuários entrou com uma ação coletiva - entre eles Sandra Eliane e Luiz Vieira - contra os leilões realizados pela CEF. Na ação, os mutuários denunciam uma série de irregularidades que foram apontadas inclusive em uma sindicância da própria CEF, que vai desde o superfaturamento da obra ao uso de material de má qualidade na edificação dos imóveis. Os mutuários alegam que não têm como pagar as prestações dos apartamentos que variam de R$ 500,00 a R$ 800,00 e querem uma reavaliação dos imóveis.
Além do Sandra Regina, a sindicânia apontou irregularidades em cerca de 30 residenciais financiados pela CEF em Maringá e região. Na maioria dos casos, há indícios de irregularidades como superfaturamento da obra, uso de material inferior e não cumprimento do projeto original no que diz respeito a metragem das unidades - são apartamentos menores do que especificam os contratos de venda ao mutuário. No caso do Residencial Sandra Regina, cinco funcionários da CEF foram indiciados na sindicância e apontados como responsáveis por negligência nas operações de financiamentos.
A CEF está executando em média cerca de 200 mutuários inadimplentes em Maringá. A maioria destes mutuários deixou de pagar as prestações há mais de quatro anos. Os processos impetrados pela CEF estão recebendo sentença da Justiça este ano, daí o grande volume de ordem de despejos.


