A falta do recolhimento do lixo reciclável em alguns bairros de Londrina tem causado indignação de moradores, que convivem agora com o acúmulo de sacos plásticos em suas casas. Pelo menos oito bairros deixaram de ser atendidos na cidade, segundo a presidente da Central de Pesagem e Venda (Cepeve), Sandra Araújo Barroso Silva.
Moradores da Vila Brasil (Região Central), por exemplo, há mais de um mês aguardam por uma solução. Revoltados com a situação, os moradores da Rua Bolívia conversaram com a FOLHA para denunciar o descaso. ''Eu não sei mais o que fazer com esse lixo, que se acumula semana após semana. Esses dias coloquei o lixo na calçada de casa, esperando pelo recolhimento e os cachorros acabaram rasgando o saco e espalhando lixo pela calçada'', contou a dona de casa Maria de Lourdes Nishimura, que mostrou indignada os setes sacos de lixo reciclável acumulados em sua porta.
Na casa da aposentada Arcângela Menan, o problema se agrava com o acúmulo de todo o lixo das quatro famílias que moram no mesmo terreno. Segundo a moradora, a solução encontrada pelas famílias foi depositar o lixo reciclável com o orgânico para que o caminhão de lixo recolhesse todo o material.
''Sábado mesmo tive que juntar todos os sacos, não tinha como deixar todo o lixo reciclável de um mês aqui em frente'', detalhou a aposentada. ''Eles falaram tanto da importância de separarmos o lixo reciclável do outro e agora que criamos o hábito de separá-los corretamente, eles nos deixam sem o serviço.''
Segundo a cabeleireira Teresa Sato, apesar do lixo não causar mal cheiro, os sacos depositados no portão de sua casa tem causado constrangimento quando chega uma visita ou uma cliente em sua casa.''É muito chato quando vamos abrir o portão para alguém e está esse lixo aqui no portão, do um ar de abandono da casa'', disse a cabeleireira, complementando que a volta de recolhimento do lixo uma vez por semana pelos recicladores seria suficiente para a região.
''Queremos uma solução para este problema. Estes dias, eu ouvi dizer que eles não iriam mais passar aqui, por causa que a área não estava na escala. Aqui é uma região central, como essa área não está na escala recicladores?'', questionou a moradora.
Verde
A Cepeve representa cerca de 160 recicladores. Segundo a presidente Sandra Silva, os trabalhadores não têm como fazer a coleta sem o apoio da prefeitura, que deixou de entregar 28 mil sacos verdes por dia e também retirou das ruas os caminhões que levavam o material para triagem.
''Há quatro anos, esses trabalhadores conseguiam obter uma renda mensal média de R$ 700, hoje esse valor caiu para cerca de R$ 350. Além disso, a prefeitura não nos apoia em nada, apesar de fazermos um trabalho de responsabilidade do município'', reclama Sandra.
De acordo com ela, a cidade conta hoje com aproximadamente 300 recicladores, 80 a menos que no ano passado. ''Se a prefeitura não voltar a distribuir os sacos verdes e a nos apoiar com caminhões para realizar a coleta do material, será impossível continuarmos nosso trabalho. E cada vez mais bairros ficarão sem a coleta seletiva'', argumenta. (Colaborou Marcos Roman)

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