Moradores de bairros da Zona Oeste de Londrina fecharam ontem uma das principais avenidas da região para cobrar das autoridades a promessa de construção de uma escola estadual para atender alunos de 5 a 8 séries do Ensino Médio. O protesto reuniu cerca de 50 pais e estudantes no entroncamento das ruas Sidney Milller e Renato Fabretti, no Parque Universidade. A principal queixa é que os alunos são obrigados a caminhar ''longas distâncias'' para estudar em bairros vizinhos. Mães presentes na manifestação disseram que casos de alunos da região que abandonaram os estudos são comuns. Até ônibus de transporte coletivo foram impedidos de passar pelo local.
A dona de casa Valéria Pereira Moreira, 38 anos, conta que o filho de 11 anos deixou de estudar no meio do ano passado por causa das dificuldades de chegar à escola. Ele frequentava as aulas na Escola Estadual Onze de Outubro, que fica em Cambé, a cerca de 40 minutos de caminhada. ''Se a escola fosse aqui no bairro seria muito mais fácil para todo mundo'', avaliou. Valéria disse que o filho pretende retomar os estudos este ano, mas teme que ele desista novamente.
Outro caso de criança fora da escola por causa da distância é o da filha da dona de casa Rosângela Correia dos Santos Klen, 36. Após estudar em uma escola da Área Central até a 6 série, a menina de 14 anos desistiu dos livros. O principal motivo foi o preço do passe de ônibus, inviável para o orçamento familiar. A jovem pretende retomar os estudos na Onze de Outubro. ''Com uma escola no bairro, a gente não teria esse problema'', destacou Rosângela.
A manifestação foi organizada pelo presidente da Associação de Moradores do Parque Universidade, Donizete Pereira dos Santos. A decisão de fechar a rua foi tomada, segundo ele, após muito tempo de espera por um retorno do Núcleo Regional de Educação (NRE). Santos conta que fez um pedido oficial de construção de escola na área há cerca de um ano. ''Não tivemos até agora uma posição do Núcleo'', queixou-se. O presidente avalia que cerca de 400 crianças precisem deslocar-se diariamente para estudar em bairros vizinhos.
O chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, explicou que a construção de uma nova escola na área é uma das prioridades para este ano. O pedido já foi acatado pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), órgão responsável pelas obras de novas instituições de ensino no Estado. ''Agora precisamos alocar recursos, que vamos pleitear junto ao Banco Mundial'', revelou Alves. O custo deverá ficar em torno de R$ 1,1 milhão. A previsão do NRE é iniciar a construção no segundo semestre, para atender os estudantes no ano letivo de 2006.
Alves descartou a sugestão de ampliação da Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza, já que a Lei de Responsabilidade Fiscal impede o Governo do Estado de fazer obras em prédios pertencentes ao município.

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