Ironicamente denominado ''posto enferrujado'' pelos moradores, a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Eldorado (Zona Leste de Londrina) ficou fechada ao atendimento de pacientes ontem pela manhã. O motivo foi um protesto organizado pela comunidade contra a falta de infra-estrutura do local. Os moradores também bloquearam com troncos de árvore, pedaços de madeira e cobertores as ruas próximas à unidade. De acordo com os pacientes, os problemas são tantos e tão sérios que seria necessária a construção de uma nova UBS. O posto existe há 35 anos e nunca foi reformado.
A unidade está sucateada e apresenta vários problemas estruturais. A organizadora do protesto, Maura Donizete Costa Silva, 45 anos, apontou desde buracos no forro, por onde entra água nos dias de chuva, até a falta de espaço para atender a demanda. As salas apresentam paredes com rachaduras e bolor devido a infiltrações, há falhas nos sistemas elétrico e hidráulico. No consultório de ginecologia, o 'banheiro' é um biombo onde as pacientes se preparam para as consultas. ''É constrangedor'', sentenciou Maura Donizete.
Por falta de espaço, a sala de vacina é também utilizada para a coleta de material para exames médicos, além de se transformar num depósito de medicamentos. Seringas e remédios controlados ficam em gavetas que podem ser facilmente abertas. Gazes utilizadas em curativos são esterilizadas em uma panela de pressão.
Os moradores também reivindicam uma sala de odontologia, já que apenas as consultas são agendadas no local. Uma empresa localizada no Jardim Califórnia (Zona Leste) emprestou uma sala para os atendimentos. ''Porém, a sala não apresenta condições adequadas e já foi arrombada duas vezes. Reivindicamos atendimento odontológico na UBS'', protestou a comerciante Maria Dalma Costa, 40 anos.
Como se não bastassem os problemas na infra-estrutura, os moradores precisam conviver com a demora no atendimento e no agendamento das consultas. ''Cheguei ao posto às 10h30 e só consegui ser consultada pelo clínico geral às 16 horas. A situação fica ainda mais crítica quando chove, já que não há local para as pessoas se abrigarem'', relatou a zeladora Maria do Rosário Silva, 43 anos. A UBS conta com apenas duas salas e três médicos para realizar uma média de 200 consultas diariamente. Por mês, são nove mil atendimentos.
A diretora de assistência de Saúde da secretaria municipal de Saúde, Brígida Gimenez de Carvalho, esteve no local do protesto para acalmar o ânimo dos moradores. Brígida informou que, desde 1995, a prefeitura tenta encontrar um terreno para construir uma nova unidade, mas não encontrou um espaço com metragem suficiente no bairro.
Brígida acrescentou que, em 2002, a prefeitura e o Ministério da Saúde firmaram um convênio no valor de R$ 192 mil para a reforma da UBS. Entretanto, o Ministério da Saúde determinou a suspensão do repasse alegando falta de recursos. De acordo com a diretora, a Secretaria de Saúde irá reencaminhar o projeto ao Ministério da Saúde em valores atualizados de R$ 240 mil com contrapartida do Município de R$ 40 mil.
''Independente da verba ser liberada, a prefeitura tentará garantir recursos para a obra no orçamento do próximo ano. Este ano serão feitas apenas reformas emergenciais, como a ampliação da farmácia e do setor administrativo. A UBS será praticamente reconstruída, apenas duas paredes serão mantidas'', finalizou Brígida.

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