Moradores do assentamento Libertação Camponesa, na zona rural de Ortigueira, fecharam a estrada que vai até Tamarana, ontem de manhã, devido às péssimas condições das estradas da região. O que eles queriam não era nem que se asfaltasse os 28 quilômetros da estrada de terra que liga as cidades de Tamarana e Ortigueira. Os cerca de 200 manifestantes exigem que se coloque cascalho em um trecho de 4 km dessa estrada que é feito só de terra, bem como em várias estradas secundárias que dão acesso às propriedades rurais, totalizando mais de 50 km. Mais de 10 veículos, a maioria ônibus, ficaram parados no local, impedindo o trânsito.
Segundo os moradores, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já liberou o dinheiro para esse fim. ''Nós até fizemos uma reunião em abril, quando prometeram que iam começar os trabalhos no dia 6 de maio. Depois a prefeitura adiou para 1º de junho, e até agora nada'', comentou um deles.
Segundo o agricultor Adilson Dutra, até a produção local é prejudicada devido às péssimas condições da estrada. ''A maioria aqui produz leite, e tem um caminhão que vem de Tamarana buscar a produção. Quando chove, o caminhão não vem e a gente perde todo o leite'', reclamou. Segundo informações dos manifestantes, cerca de 700 famílias dependem dessas estradas, sendo 417 só do assentamento. Ao todo, cinco cinco ônibus e duas kombis fazem o transporte escolar de 540 crianças na região.
O motorista Manoel Frazão disse levar uma hora e meia para percorrer um trecho de cinco quilômetros em dias de tempo bom. ''A estrada é tão ruim que tem buraco de mais de um metro. Se chove na segunda, a gente fica a semana inteira sem transportar, porque não tem condições. Tem que se benzer antes de sair de casa'', contou.
Quando o tempo é ruim, a criança que deseja ir à escola precisa ir a pé, em um itinerário de mais de quatro quilômetros. ''Dá mais de uma hora andando'', calculou o estudante Silas Mian Alves, acrescentando que já chega cansado às aulas. ''Minha filha tem 7 anos e está na segunda série. Muita gente perde o ano por causa de falta. Se continuar assim, acho que 90% vai perder o ano novamente'', comentou um agricultor.
O motorista José Antônio Libelo Morais percorre 43 quilômetros por dia, dos quais apenas nove são asfaltados, transportando até 35 pessoas. ''Quando chove, ou vai todo mundo de caminhonete, debaixo de chuva, ou vai um trator na frente do ônibus. Teve uma vez em que o ônibus caiu em um buraco e eu tive que andar 4 km a pé para buscar um trator. Cheguei em casa às dez da noite'', relatou.
Segundo o agricultor Sérgio Luiz da Silva, o protesto iria permanecer até que surgisse alguma resposta da prefeitura. ''Se não resolver, na terça-feira nós vamos parar tudo de novo'', ameaçou.

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