Moradores fazem mutirão contra o mato
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segunda-feira, 04 de fevereiro de 2008
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Cansados de esperar providências por parte do poder público, moradores do Jardim Neman Sahyun (Zona Sul) se reuniram na manhã de ontem para resolver, com o próprio esforço, um problema vivido em diversas regiões da cidade: o excesso de mato. Eles se cotizaram para alugar maquinário e foram para a Rua Frederico Vivan - porta de entrada da parte de baixo do bairro - logo cedo para carpir o colonião que tomava conta da via. O trabalho deve se estender a outras ruas nos próximos finais de semana.
''Vamos trabalhar sempre nas manhãs de domingo para tentar acabar com o mato que está tomando conta de tudo por aqui. A última vez que a prefeitura mandou gente para roçar o bairro faz uns três anos. Quando vamos atrás para pedir providências, ficam nos mandando de um lado para o outro, fazendo a gente de bobo. Cansamos disso e resolvemos tomar providências'', disse um dos moradores, Adão Aparecido da Silva.
A rua que foi alvo do mutirão fica entre um morro e um fundo de vale, e também tem sido alvo de vandalismo. As luzes dos postes estão todas quebradas e no último dia 21 o local foi escolhido para o homicídio de Bruno César Oliveira, 21 anos, morto com quatro disparos de arma de fogo, na cabeça e costas. Ontem, enquanto roçava, o grupo encontrou uma cápsula de arma de fogo no meio do mato. ''Estamos aqui abandonados, feito bicho. Mas o imposto ninguém deixa de nos cobrar'', reclamou Silva.
Outro morador, o motorista de ônibus Fernando José Calandria, contou que como trabalha até de madrugada, para chegar em casa com segurança tem que deixar seu veículo em um posto de gasolina ''lá em cima'', para na volta poder fazer o trajeto motorizado. ''Do jeito que estava, era muito arriscado passar aqui tarde da noite.'' Além de assaltos, os moradores temem o ataque de animais peçonhentos. Eles informaram que cobras e aranhas têm sido encontradas com frequência nas redondezas.
O diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, afirmou que em se tratando de área pública, nenhuma região da cidade fica mais de três anos sem roçagem. ''Esta informação não procede'', garantiu. Segundo Reali, todos os pedidos de serviço são atendidos pela Visatec, empresa terceirizada, no prazo máximo de 15 dias. Ele informou ainda que para suprir a maior demanda desta época do ano, a Visatec passou a trabalhar também aos sábados, com 140 homens espalhados pelas diferentes regiões, e uma equipe de 15 funcionários da CMTU foi destacada para os serviços de roçagem.
O mato não é o único problema enfrentado pelos moradores e proprietários de imóveis e terrenos no Jardim Neman Sahyun. A área foi embargada pela Justiça por ter sido loteada sobre minas de água, e há uma polêmica - que está sendo definida na Justiça - sobre quem deve pagar a perícia que definirá a extensão dos danos ambientais causados.
A Prefeitura de Londrina e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), réus na ação, recorreram da decisão do juiz José Ricardo Alvarez Vianna, da 8 Vara Cível, que determinou que a perícia deveria ser paga por ambos e pela Loteadora Pavibrás, terceira ré do processo. Cerca de 200 lotes estão embargados. Enquanto isso, os proprietários não podem construir, reformar ou negociar os imóveis.


