Garrafas pet, vasilhames de plástico, pedaços de isopor, galhos de árvore e até um sofá velho. Tudo dentro do ribeirão Quati. Armados de pás, enxadas e ancinhos, os moradores da favela Cantinho do Céu, Jardim Paulista e Fortaleza (zona norte) acordaram cedo ontem para um mutirão de limpeza junto com as Secretarias do Meio Ambiente (Sema), da Ação Social e CMTU.
A idéia partiu dos próprios moradores, que foram pedir apoio da prefeitura. ‘‘Nós é que temos que olhar prá isso aqui e cuidar. O ribeirão é o nosso quintal’’ diz Reinaldo Rodrigues dos Santos, 33 anos, presidente da Associação dos Moradores dos Jardins Paulista e Fortaleza. A sujeira vem se acumulando há muito tempo, mas ultimamente um outro tipo de poluição está preocupando os moradores: ‘‘ A água do rio está descendo com óleo. Há 15 dias todos os peixes morreram. De manhã, tem dia que a água está avermelhada e de tarde fica cinza. Estão jogando algum produto químico no Quati’’, denuncia Ana Alice Pereira, 40 anos, presidente da Associação de Moradores da favela Cantinho do Céu. Fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Secretaria da Saúde vão analisar amostras da água. Quem mora na beira do ribeirão usa a água para lavar roupas e calçadas. Nos dias mais quentes, as crianças dividem a água com os patos, criados nos quintais.
Em troca de um almoço reforçado, oferecido pelas associações e de cestas básicas entregues pela Secretaria de Ação Social, 23 moradores dividiram um trabalho pesado. A quantidade de lixo obrigou a Secretaria do Meio Ambiente a estender o mutirão: ‘‘Não vai dar prá limpar tudo hoje. Vamos continuar durante a semana’’ garantiu o secretário João Mendonça. Depois de tudo limpo, a Sema vai plantar árvores nativas nas margens do ribeirão. Esta é a segunda limpeza que os moradores fazem no local. A última, há dois anos, encheu de lixo 14 caminhões da CMTU.
Dispostos a recuperar a área, os moradores sonham mais alto: ‘‘ Nossa idéia é transformar esse lugar numa área de lazer para todo mundo’’ diz Santos, que nasceu no local: ‘‘ Eu passei minha infância brincando neste rio. Tenho muita vontade de ver ele livre do lixo e cheio de crianças outra vez’’.

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