Cansadas de conviver com esgoto a céu aberto, as 75 famílias que moram no conjunto Fortunato Cibin, em Cornélio Procópio, decidiram fazer um esgoto comunitário, independente da rede que interliga o município. O sistema será dotado de uma fossa única, que receberá descarga de todas as casas, e terá pré-tratamento próprio. As obras começaram esta semana.
A idéia surgiu em uma reunião da Associação de Moradores. Os mutuários estavam revoltados com o esgoto a ceu aberto na porta das casas. ‘‘Durante quatro anos, o povo conviveu com o esgoto a céu aberto, enfrentando moscas, mau cheiro e causando riscos à saúde das crianças’’, disse o presidente da Associação de moradores, Sérgio Bueno.
Segundo ele, na época da inauguração do conjunto, a prefeitura não podia bancar a obra. ‘‘Aguentamos até onde deu e decidimos tomar uma posição, independente de qualquer órgão político’’, afirma Bueno.
A associação fez um orçamento dos custos da construção da mini-rede e as famílias decidiram bancar o valor. Ao todo, a obra vai custar R$ 4 mil.
O custo será rateado entre os moradores - R$ 35,00 por casa. ‘‘É uma taxa única. Depois, a manutenção será feita pela prefeitura em convênio com a Sanepar’’, informou.
Para as famílias que não podem pagar a taxa, serão feitas promoções, como festa junina e baile entre os próprios moradores. ‘‘Isso é para que ninguém deixe de ser beneficiado pelo esgoto comunitário.’’
O projeto foi proposto ao prefeito José Antônio Otoni da Fonseca (PMDB), que garantiu a mão-de-obra para a instalação da rede. A prefeitura paga funcionários públicos aposentados para trabalhar em obras públicas como esta. ‘‘Foi uma idéia excelente dos moradores, uma vez que o município está saindo da crise e ainda não tinha condições de bancar a obra’’, diz o prefeito.
Segundo ele, a idéia vai ser adotada em outros bairros como solução imediata para problemas de saneamento. ‘‘É um projeto piloto, que vai se estender para outros conjuntos’’.
O Conjunto Fortunato Cibin tem cinco ruas. São necessários 500 metros quadrados de rede. A obra deve ser terminada em 45 dias.
‘‘Só de pensar em ficar livre de moscas e do mau cheiro, vale a pena o sacrifício de pagar a taxa pedida’’, afirmou a moradora Sebastiana Leontina Fraga.
FossaPeriodicamente, a fossa coletiva terá que ser esvaziada por caminhões-fossa. O destino dos resíduos será a estação de tratamento de esgoto da cidade.
Cornélio conta com 7,5 mil metros de rede de esgoto tratado, cobrindo 68% da cidade. ‘‘O restante das ligações será instalado em outros bairros, que na medida do possível estarão sendo atendidos’’, diz o engenheiro-chefe da Sanepar de Cornélio Procópio, Milton Borghi. Na rede de esgoto sanitário de Cornélio, o problema mais grave aparece nos bairros periféricos.

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