A feira da avenida São Paulo é a mais tradicional de Londrina. Segundo o presidente dos feirantes, José Carlos Pinheiro de Souza, 47 anos, a região central é ocupada pelo comércio de frutas, legumes e verduras há aproximadamente seis décadas. ''Mas hoje está muito difícil trabalhar. Aqui é toda quinta-feira e domingo, mas tivemos abaixo-assinado várias vezes contra a feira'', relata. ''A verdade é que todo mundo quer ter uma feira perto de casa, mas ninguém quer em frente ao seu portão'', constata.
Mesmo oferecendo diversos tipos de produtos, entre os gêneros alimentício, vestuário, calçados, entre outros, os feirantes enfrentam dificuldades. Souza cita o horário rígido para montagem e desmontagem das barracas, pagar segurança particular e para usar o banheiro do cemitério, falta de lixeiras para deixar o espaço limpo após a feira e a concorrência dos grandes supermercados. ''Hoje, se entrarem dez feirantes novos, oito saem. Já foi um bom negócio'', avalia.
Segundo Souza, um exemplo da adversidade enfrentada atualmente pelo setor é a diminuição da colônia japonesa, que antes dominava a feira. ''Eles têm preferido voltar para o Japão e desisitir da feira. Antes, a maioria dos feirantes era formada por japoneses e descendentes'', destaca. Ele cita o exemplo de um feirante nascido na Terra do Sol Nascente que há 37 anos vende ovos na feira central, que hoje congrega 320 profissionais. ''Fui criado nesta feira, mas não quero esta vida para os meus filhos'', resume.(F.R.F.)

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