Os moradores de Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho) estão reunindo assinaturas em um abaixo-assinado, desde segunda-feira, para reinvindicar junto ao governo federal a instalação de rede de esgoto no município. A maioria das residências tem mais de uma fossa, geralmente com a capacidade esgotada.
Os despejos de cozinhas e lavanderias são jogados a céu aberto nas ruas, inclusive na avenida principal. O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE) e a prefeitura estão aguardando recursos da Fundação Nacional de Saúde (FNS) para implantar a rede.
‘‘Esse é um problema antigo do município que estamos lutando para sanar desde o nosso primeiro mandato, em 1989. Apresentamos alguns terrenos para a construção da estação de tratamento mas foram considerados impróprios pelo Instituo Ambiental do Paraná (IAP)’’, explicou o prefeito José Luiz Vosni (PFL). Ele disse que constantemente entra em contato com a FNS para cobrar os recursos.
Os moradores não querem mais esperar. O sofrimento aumenta em dias de chuva, quando a água da enxurrada mistura-se com as descargas de esgoto. ‘‘As fossas cheias fedem dia e noite. Não dá para aguentar’’, disse a dona de casa Santa de Lima Valente, 36 anos. Ela mora na Vila da paz, um dos bairros mais prejudicados. ‘‘Quando chove, não tem quem não ande em meio ao barro e ao esgoto’’, reclamou a moradora Cecília Vilhena dos Reis, 42 anos. ‘‘Sem contar o problema de mosquitos e pernilongos, que não medem hora para incomodar’’, acrescentou Rosalina Carvalho, 47 anos.
A chefe do Samae, Edinéia Oliveira Pedroso Assolari, explicou que há novos projetos sobre áreas destinadas à estação de tratamento que serão encaminhados à aprovação do IAP. ‘‘O terreno que está sendo apresentado no projeto atual, preenche todos os requisitos exigidos pelo IAP e acreditamos que desta vez será aprovado’’, afirmou Edinéia. Segundo ela, para que o município fique totalmente saneado será preciso 1,6 mil ligações. ‘‘É uma luta de todos. Precisamos unir forças para que essa situação seja resolvida o mais rápido possível’’.
Apesar do esgoto correr na rua, a saúde da populaçao tem sido mantida sob controle. Segundo a secretária da Saúde, Floripes Maria Simoni Valentini, agentes de saúde têm feito um trabalho intenso de conscientização e atendimento aos moradores. ‘‘O acompanhamento é praticamente semanal de instruir a comunidade para conviver com o problema e os devidos cuidados com a saúde, principalmente das crianças’’, informou. Segundo Floripes, nos últimos dois anos, problemas de diarréia e verminose diminuíram em cerca de 70%. Agora o município prepara uma campanha contra a dengue.
Para a coordenadora da Vigilância Sanitária Marisa Rosa Cruz, o problema da falta de rede de esgoto ‘‘é sério e precisa ser atendido com urgência’’. Segundo ela, quando técnicos da vigilância vão até uma casa para orientar sobre a construção de fossas, geralmente, encontram várias fossas no quintal. ‘‘Já atendemos situações em que a pessoa não tinha mais espaço para furar fossa e outros que estão ligando direto nas bocas de lobo’’.
Informações obtidas junto à FNS dão conta que o orçamento deste ano não foi suficiente para atender Abatiá e, provavelmente, os recursos serão liberados em 1999. Na região, este ano foram liberados recursos para Itambaracá (cerca de R$ 60 mil) e Bandeirantes (cerca de R$ 300 mil).

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