Moradores exigem lote para escola
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quarta-feira, 25 de outubro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
Cerca de 300 moradores dos Jardins Campos Elíseos, União da Vitória e Santa Joana (região sul de Londrina) realizaram ontem de manhã um manifesto para agilizar o processo de desocupação de um terreno onde será construída a Escola Estadual Rina Maria de Jesus Francovig. A área em discussão mede 11.323,27 metros e pertence ao empresário João Dib Abussafe que prometeu doá-la à prefeitura. O problema é que o caseiro José Maria de Souza Costa se recusa a deixar o local, alegando ter direito a um alqueire de terra.
Moro no Jardim Santa Joana há 25 anos. Aqui tenho minha casa, amigos e os meios para sobreviver. Só vou embora quando seu João mandar e até agora isso não aconteceu, afirmou Costa. De acordo com o proprietário, o terreno faz parte de um conjunto de 12 alqueires que Abussafe pretende lotear em breve. Já ofereci dois lotes, mas ele não quer sair dali. Vou tentar um novo acordo para não criar confusão.
Enquanto isso, a comunidade busca meios para sensibilizar o poder público. Hoje, um grupo de moradores tentará entregar ao prefeito Jorge Scaff (PSB) um abaixo-assinado em que 300 pessoas reivindicam atenção para seu problema. Desde 93, a Escola Estadual Rina Maria de Jesus Francovig funciona no mesmo prédio da Escola Municipal Osvaldo Cruz. Segundo o diretor Cícero da Silva, isso acarreta falta de espaço para o setor administrativo, laboratório, biblioteca e até funcionários.
Durante o dia, o prédio serve a 800 alunos da 1ª a 4ª série do ensino fundamental do município. À noite, entram outros 400 adolescentes e adultos do curso supletivo de 5ª a 8ª série. Precisávamos de mais salas para oferecer também um curso de ensino médio rápido, mas enquanto não tivermos nossa sede isso será impossível, explicou Silva.
Além disso, os moradores também se queixam da falta de vagas para alunos na escola Osvaldo Cruz. Por causa disso, eles são obrigados a estudar em outros bairros, situação que preocupa os pais. Em dezembro de 99, a demanda reprimida era de 500 vagas para a 5ª série e mais 500 para a 1ª série do ensino médio. Esse déficit deve se repetir no próximo ano em virtude do crescimento acelerado da região sul, disse o diretor.
Conforme a assessora de planejamento da Secretaria Municipal de Educação, Carmem Lúcia Baccaro, o processo de licitação da obra está em andamento e a disputa pelo terreno não deve atrapalhar o projeto. Existe disposição entre as duas partes para estabelecer um acordo. Se tudo correr bem a construção começará, no máximo, no início de janeiro.
O novo prédio oferecerá aproximadamente mil vagas diuturnamente para alunos do ensino fundamental e médio, laboratório, biblioteca, refeitório, quadra esportiva e até uma área para futura ampliação. De acordo com Lúcia, ele vai aliviar a demanda da região e atender uma reivindicação antiga da comunidade. A assessora não soube dizer qual será o investimento, mas adiantou que será uma parceria entre governo do Estado e Banco Mundial.


