Famílias de três propriedades rurais de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), situadas junto à PR-444, na saída para Mandaguari, estão exigindo da saúde pública a dedetização para o extermínio do bicho-barbeiro. Moradores denunciaram que técnicos da Fundação Nacional de Saúde (FNS) encontraram focos do inseto na região e que, passados mais de 30 dias, ninguém retornou para fazer a borrifação do veneno.
Conforme relatou Vander Lúcio Saturnino Ribeiro, um dos moradores do Sítio do Peru, agentes da saúde haviam confirmado a presença do bicho-barbeiro em casas da região, mas não estavam conseguindo localizar o ninho dos insetos. ‘‘Depois de muito procurar, eles localizaram o foco numa paineira gigante da propriedade’’, contou o trabalhador rural.
Segundo ele, os bichos-barbeiro estavam concentrados numa cavidade do tronco, onde também estavam alojados um casal de gambás e 7 filhotes. ‘‘No oco da paineira eles capturaram 220 bichos-barbeiro e retiraram também todos os gambás’’, disse Ribeiro.
‘‘Os técnicos explicaram que os insetos estavam sugando sangue dos gambás e que dificilmente iriam atacar as pessoas nas casas porque tinham alimento suficiente. Mas por medida preventiva iriam colher o sangue de todas as pessoas para fazer o exame’’, disse, acrescentando que até agora ninguém sabe o resultado do exame.
Outro fato que deixou apreensivos os moradores da região foi a captura de dois bichos-barbeiro na residência de Claudinéia Fernandes de Oliveira, no Sítio Arapongas. Ela contou à Folha que, no dia 16 de janeiro, observou um inseto diferente, de cor vermelha e preta, pousado na cabeça e sugando sangue de sua filha, de apenas 3 meses de idade. ‘‘Com muito cuidado consegui matar o inseto, que era igual a um outro que peguei no dia anterior’’, disse Claudinéia.
A mãe colocou os dois insetos num vidro e levou para a saúde pública, que confirmou que eram mesmo bichos-barbeiro. Dias depois, agentes de saúde fizeram coleta de sangue de famílias residentes na propriedade, que também aguardam o resultado.
A Folha tentou ouvir os técnicos da FNS, em Arapongas, mas eles não quiseram dar entrevista. Um deles declarou que o jornal deveria procurar a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde, em Curitiba.
A Secretaria de Saúde, em Curitiba, informou que a borrifação de veneno está sendo feita em toda a região, onde foi detectada a presença do bicho-barbeiro. ‘‘A região é grande, e os moradores devem ter um pouco de paciência, que o trabalho irá atingir todas propriedades’’, acrescentou uam funcionária ligada ao setor de comunicação social da Secretaria de Saúde.
Ela disse ainda que outras informações poderiam ser obtidos com o chefe da 16ª Regional de Saúde (Apucarana), Reinaldo Aranda. A reportagem não conseguiu falar com Aranda que, às 18 horas participava de uma reunião.

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