Exames particulares, feitos pelos próprios moradores (que confirmaram contaminação por chumbo em pelo menos 22 pessoas), estão com a vereadora Fernanda Pinheiro. Apesar disso, ela afirma que um número maior de moradores pode estar contaminado. ''Pelo menos 100 pessoas já fizeram exames e detectaram o chumbo no sangue'', afirmou.
A moradora Thelma Federigui Baisi enfrenta o problema com muita preocupação. Ela conta que sentia fortes dores no estômago, quando resolveu fazer o exame de sangue e o resultado apontou concentração de 22.5 microgramas de chumbo. O exame foi feito no mês de junho. ''A gente se preocupa porque sabe que isso vai se acumulando no sangue e vai prejudicando cada vez mais a saúde.''
O agricultor Supriano Magalhães, que mora a 300 metros da fábrica, tem um filho de nove anos que apresentou resultado de 11 mcg no sangue (o permitido para crianças é 10 mcg). Ele mora na área com mais uma família, mas só o filho fez exames. ''Estou preocupado porque não sei o que pode acontecer.'' Ele comenta que o mal cheiro, principalmente na madrugada, diminuiu depois do fechamento da fábrica.
Outros dois moradores, que preferiram não se identificar, mostraram resultados de dois exames. No primeiro exame, a mulher de 41 anos apresentou índice de contaminação de 8 mcg. Um ano depois, o resultado foi 19 mcg. Já no exame realizado em março, no homem de 50 anos, o resultado foi 13 mcg. Em setembro, o resultado já era 19 mcg.
Os advogados da fábrica de bateria negam a contaminação e estão tentando na Justiça a sua reabertura. Em entrevista à Folha no final do mês passado, o dono da empresa, Carlos Roberto Bucko, disse que ficou surpreso com o alvará da prefeitura que determinou o fechamento. Ele afirmou ainda que cerca de 40 famílias (de funcionários fixos e terceirizados) estão sendo prejudicadas com esta decisão. Ainda de acordo com Bucko, o resultado dos exames realizados no HU são ''apenas parâmetros'' e que não existem índices que determinam a contaminação pelo chumbo. (M.O)

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