Vanessa Navarro
Reportagem Local
Os frutos do trabalho extensivo de voluntários e agentes de Saúde no combate à dengue já começam a aparecer. O arrastão contra os focos do mosquito, realizado ontem e que continua hoje nos jardins Monte Cristo e Santa Fé (zona leste) – locais que concentraram o maior índice da doença em Londrina – encontrou pelo caminho moradores mais conscientes. ‘‘Problema nas casas? Até agora não achamos nenhum’’, disse a voluntária Joana Darque, 35, após mais de uma hora vistoriando imóveis no Monte Cristo.
  Uma afirmação tão positiva jamais teria sido feita nos primeiros meses deste ano. O período marcou o auge da epidemia de dengue em Londrina, tendo na zona leste a maior incidência da doença. A região concentrou 91% dos 154 casos registrados em fevereiro. Desde então, os trabalhos de prevenção e combate ao mosquito da dengue foram intensificados. A Secretaria Municipal de Saúde estabeleceu parcerias com outros órgãos municipais e também com as comunidades.
  Hoje, só nos jardins Monte Cristo e Santa Fé, 40 mulheres voluntárias – moradoras dos próprios bairros, que recebem cestas básicas da Secretaria de Assistência Social, em troca do trabalho – atuam semanalmente. Toda segunda-feira, sob a supervisão de agentes de Saúde, elas vistoriam casa por casa, buscando focos do mosquito e orientando os moradores. ‘‘A gente já conhece todo mundo. Em uma ou outra casa tem morador mais desconfiado, mas a gente vai quebrando o gelo’’, conta Joana.
  Durante o arrastão desta semana, as equipes também estão distribuindo sacos de lixo para os moradores. O entulho ainda é o grande vilão daquela localidade, embora o problema já tenha sido amenizado. No Monte Cristo, existem 35 ‘‘pontos estratégicos’’, como são chamados os imóveis que favorecem o aparecimento do Aedes aegypt (mosquito transmissor da dengue) por servirem para reciclagem de lixo. Além da vistoria, estes locais recebem aplicação de inseticida a cada 15 dias.
  O catador de papel José Geraldo Pereira da Silva, 35 anos, foi obrigado a conciliar o ganha-pão com os cuidados contra a dengue. ‘‘Tenho que cuidar porque essa doença quase matou a mim e minha esposa no começo do ano. Procuro manter o quintal sempre do jeito que eles pedem’’, garantiu. Ontem, Silva foi ‘‘aprovado’’ pela equipe de vistoria. O coordenador de Saúde, Rodrigo Capobianco, 21, apontou que, embora o quintal do catador de papel estivesse repleto de lixo, as garrafas estavam ensacadas e a caixa d’água, tampada. ‘‘Mas tem que ficar atento. Uma dessas tampinhas de garrafa plástica de dois litros já é um perigo’’, alertou.
  Em outra residência do bairro, a dona de casa Anália Dias Beraldo, 61 anos, mostrou que prevenção nunca é demais. ‘‘Eu viro de cabeça pra baixo todas as garrafas, potes e latinhas do quintal. Viro até casca de ovo!’’, afirmou. Embora garanta que a dengue não tem vez em sua casa, ela atende prontamente as voluntárias e prende seu cachorro, ‘‘para que elas olhem tudo em paz’’.

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