Moradores esperam por asfalto há décadas
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quinta-feira, 23 de julho de 1998
Osmani Costa 
Quando esta estrada estiver asfaltada, vou andar de joelhos alguns quilômetros para agradecer e pagar tantas promessas já feitas. Todas as noites que preparamos os frangos para serem transportados temos que rezar para não chover na manhã seguinte, afirma o administrador de fazenda Dorival Poggian, 31 anos, que nasceu e sempre trabalhou em propriedades localizadas na região.
Ele conta que a população daquela região já sofreu muito em consequência da estrada não asfaltada, principalmente em época de chuvas. De uns três anos para cá, com o cascalhamento, até que a estrada ficou boa. Mas antes, isto aqui era uma dureza. Os caminhões com os produtos da safra só saíam rebocados por tratores, comenta Poggian.
Josoé de CarvalhoMaria Alves Tavares: Muita gente já prometeu mas nada foi feitoOs 17 quilômetros de terra que separam a PR-538 (entre o distrito de São Luiz e o patrimônio Regina) e o distrito de Aricanduva (próximo a Apucarana) estão em bom estado de conservação e cortam dezenas de propriedades rurais que produzem notadamente trigo, milho e café; além de muitas contarem com granjas para a criação de aves. O início da estrada de terra em São Luiz está a 21 km de Londrina. Pela estrada do Cerne a distância entre Londrina e Apucarana fica 25 km mais curta, além de se evitar o futuro pagamento do pedágio na praça que está sendo construída entre Arapongas e Rolândia.
A dona de casa Maria Aparecida Alves Tavares, mulher de arrendatário de terras no distrito de Novo Mundo (município de Arapongas), mora naquela região há mais de cinco anos e diz esperar que esta não seja apenas mais uma promessa de véspera de campanha eleitoral. Muita gente já passou por aqui dizendo que iria asfaltar esta estrada, mas até hoje nada foi feito. Quando chove, o trânsito aqui fica muito difícil; as crianças acabam perdendo muitos dias de aulas, diz.
Pela estrada vicinal não circulam ônibus de linha para o transporte de passageiros, mas apenas os que levam os estudantes às escolas de primeiro e segundo graus dos distritos de São Luiz e Novo Mundo. Para ir de uma propriedade às outras ou para os distritos e cidades, quem não possui automóvel tem que utilizar animais ou andar muito, enfrentando a poeira, as pedras e o barro em dias de chuva, reclama Maria Tavares.


