Londrina

Dorico da SilvaMãos à obraMoradores fizeram um quebra-mola em cada lado da Tiradentes: para eles, medida será eficiente para evitar constantes atropelamentosCansados de esperar por uma providência do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), os moradores dos jardins Bandeirantes, Leonor e Santa Rita, zona oeste de Londrina, resolveram construir, por conta própria, uma lombada na avenida Tiradentes (BR-369). O obstáculo foi erguido em frente à Jabur Toyopar. A população se dizia revoltada com o número elevado de acidentes e atropelamentos que acontecem naquele trecho.
O protesto dos moradores começou por volta das 9 horas e a construção da lombada foi bastante rápida. Em menos de duas horas eles tinham feito dois quebra-molas - um em cada sentido da via.
Os obstáculos foram feitos com piche e receberam até uma mão de tinta amarela. A presidente da Associação de Moradores do jardim Leonor, Maria Inês Ribeiro, explica que a comunidade fez uma ‘‘vaquinha’’ para comprar o material.
Eles chegaram à avenida Tiradentes um pouco antes das 9 horas. Primeiro, um grupo, de mãos dadas, fez um bloqueio, parando o trânsito. Houve um grande congestionamento, já que é uma das vias de maior volume de tráfego da Cidade.
A situação só melhorou depois que a polícia chegou e começou a organizar o trânsito, permitindo que os carros passassem lentamente pelo acostamento. O trânsito ficou complicado no local.
A comunidade daquela região já tinha ameaçado construir um obstáculo no local há alguns meses, quando a jovem Vanessa Maia, 18 anos, foi atropelada e morta naquele trecho da Tiradentes, no dia 15 de agosto.
A ‘‘gota d’água’’ foi um outro atropelamento, há algumas semanas, quando um vigia que trabalhava no jardim Bandeirantes morreu, vítima de atropelamento, na rodovia. ‘‘Os moradores me procuraram ontem (anteontem) querendo abrir buracos, uma valeta na avenida. Mas nós achamos melhor fazer a lombada’’, diz Maria Inês Ribeiro. Ela reclama da demora do DNER em instalar semáforo no local. ‘‘Esta via não tem nem pai nem mãe’’, reclama.
A presidente da associação avisa que, se a lombada for retirada, o DNER será processado pelas mortes que ocorrerem no futuro, vítimas de atropelamento ou acidentes graves. Ela lembra que moradores de cerca de 10 bairros atravessam diariamente a rodovia para estudar ou trabalhar.
Rosely de Oliveira Silva, 24 anos, é moradora do jardim Leonor e era uma das mulheres que bloqueava os carros para impedir o trânsito. Ela conta que já testemunhou oito atropelamentos na avenida Tiradentes - o último foi o do vigia, que a moça identificou apenas como José Inácio. ‘‘Quando a Vanessa morreu nós mesmos resolvemos fazer o quebra-mola. Temos que fazer. Onde a gente foi pedir a autorização ninguém deu’’, comenta.
A Polícia Militar foi comunicada pelos próprios moradores sobre o protesto. Inicialmente, cinco soldados foram encaminhados para organizar o trânsito e acompanhar a manifestação. Por volta das 10 horas, o comando mandou mais policiais para reforçar o trabalho.
O engenheiro da regional de Londrina do DNER, Robson Kenje Saito, esteve no local por volta das 11h30. Ele disse que as pessoas que ergueram a lombada, à revelia do Departamento, serão notificadas a retirar o obstáculo em, no máximo, 10 ou 15 dias.
Ele avisou que os moradores - principalmente os presidentes de associações de bairro - vão responder criminalmente por acidentes que ocorram em decorrência do quebra-mola improvisado. Eles terão ainda, de acordo com o engenheiro, que indenizar qualquer dano que causarem a terceiros. Ele disse ainda que a PM será intimada a testemunhar sobre o caso.
Robson Saito lembra que é proibido instalar lombadas em vias com trânsito superior a 600 veículos por hora. ‘‘E o número de veículos que circulam nesta rodovia é muito maior.’
A licitação para privatização daquele trecho da BR-369 já foi concluída. Quem vai administrá-la é o consórcio Ivaí/Triunfo, informa o Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

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