Moradores enfrentam os trilhos e ignoram o perigo
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quinta-feira, 12 de julho de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
Na hora do almoço e final de tarde, no pátio Iguaçu da América Latina Logística do Brasil (ALL), no bairro Alto Boqueirão em Curitiba, a paisagem é sempre a mesma. Centenas pessoas andam em cima dos trilhos e pulam pelo meio dos vagões na tentativa de vencer a área da empresa, caminho mais curto entre suas residências e a escola, creche, posto de saúde e locais de trabalho.
As 800 famílias que vivem no local estão praticamente ilhadas entre o rio Iguaçu, as cavas do Boqueirão e o Pátio Iguaçu. Como trata-se de área de invasão, no local não existe nenhuma infra-estrutura, obrigando as famílias a se deslocarem para o Jardim Paranaense, do outro lado dos trilhos. E o caminho mais curto, neste caso, é passando pelo pátio Iguaçu.
A gente tem medo mas não tem outro jeito de ir para a escola, diz Ângela de França Taborda, 9 anos, que cursa a 3ª série. Eu mesma já caí, diz Sharlene Franciele, 10 anos, dizendo que para melhorar teria que existir uma passarela.
Há um ano Maico Fernando de Freitas, 3 anos, teve uma perna cortada pelas rodas do trem. Enquanto estiver em fase de crescimento, Maico terá que passar por várias cirurgias. Elisabete diz que, agora, está entrando com ação na Justiça contra a ALL. Quero uma indenização para que o meu filho possa fazer fisioterapia, colocar uma prótese e possa viver melhor, diz.
A Prefeitura de Curitiba não pensa em construir uma passarela no local. A proposta é regularizar a situação das 800 famílias que vivem no local, com um projeto que prevê a relocação das pessoas que vivem em áreas de risco e a implantação de infra-estrutura que atenda as necessidades da comunidade. A idéia é reduzir a dependência dos moradores pelos serviços existentes do outro lado dos trilhos.
A ALL pediu empenho ao município para que regularize o mais rápido possível a situação da invasão. Em troca, a ALL se compromete a resolver outro problema que envolve linhas férreas em Curitiba. A ALL se propõe a construir 16 cancelas eletrônicas nas passagens de nível da ferrovia entre a Rodoferroviária e Rio Branco do Sul, com um investimento de R$ 500 mil. De 17 passagens de nível existentes no trecho, só uma tem cancela adequada. Entre as 16 restantes, a prefeitura teria a responsabilidade de construir 12 delas.


