Álvaro OrsiRosas e girassóisMarcionilha com o marido: cansada de pedir a limpeza do canteiro, ela pôs a mão na massa UMUARAMA - O mato que antes tomava conta dos canteiros das avenidas da periferia de Umuarama está dando lugar ao plantio de hortaliças, legumes e frutas e principalmente batata-doce, que deve ser colhida antes das festas juninas.
Em toda a cidade, a área plantada chega perto de 1,5 hectare, quase a metade do plantio acompanhado pela Secretaria da Agricultura no município. As flores também fazem parte do ‘‘cardápio’’ de opções dos moradores e dão um colorido especial a lugares antes temidos por causa do mato.
Ex-agricultor, o motorista aposentado Manoel Messias Bernardo, 52 anos, está otimista com a pequena plantação de batata doce no final da avenida Estação. ‘‘O mato aqui era feio. Era maior que aquele da praça’’, diz apontando para um lugar onde dois cavalos se alimentam soltos, escondidos no meio do capim e do lixo.
As mudas da batata foram cedidas por um vizinho, que mais tarde resolveu ampliar o plantio e fazer sociedade. A mesma iniciativa tiveram outros moradores próximos, até que todo o canteiro de um quarteirão foi reurbanizado.
Álvaro OrsiDoce uniãoO aposentado Bernardo, com vizinhos: moradores unidos no plantio de batata-doce para todo mundo
A pequena plantação de Bernardo não passa de 100 mudas. Os vizinhos dele, Gilberto Campolim, 23 anos, e Leonardo Machado, 20 anos, preferiram ir mais além. Plantaram para toda a família e fizeram um acordo: quem quiser batata, depois que a produção estiver no auge, é só buscar.
Campolim e Machado estão desempregados. ‘‘Às vezes ficamos procurando mato no meio das mudas para ver se achamos alguma coisa’’, conta Machado.
Jardim Perto da casa deles, na avenida Estação, a aposentada Marcionilha Abreu Santana, 69 anos, cuida do jardim que formou há cerca de 2 meses. O espaço, de 20 metros quadrados, é dividido por rosas e girassóis. Marcionilha e o marido, Adolfo Pereira Santana, 75 anos, têm planos de fazer um grande jardim, ocupando todo o canteiro. ‘‘Mas vou ter que comprar outra enxada, porque essa já não tem mais jeito’’, observa.
Os vizinhos aprovaram a idéia e prometeram ajudar. ‘‘E ai de quem vier botar defeito’’, avisa José Sprange, 55 anos, que planta manga no canteiro da avenida Rondônia.
Marcionilha conta que se cansou de pedir à prefeitura a limpeza do canteiro. A grama, segundo ela, chegou a invadir metade da rua.
A mesma reclamação é feita pelo motorista aposentado Manoel Bernardo e pelos vizinhos Gilberto e Leandro. ‘‘A gente gastava ficha no orelhão mas não adiantava nada’’, diz Bernardo.
‘‘Agora as próprias famílias estão tomando consciência e fazendo o serviço de uma forma aproveitável’’, explica.
O secretário de Serviços Públicos, Wilson Simões, diz que por enquanto a prefeitura não deve incentivar a ocupação de mais canteiros. Nos próximos dias, segundo ele, o município deve lançar a empresários da cidade um programa de adoção de praças e canteiros.
Descaso Em troca da conservação dos locais, a partir de um programa padrão, os empresários poderão fixar placas de propaganda. ‘‘Urbanisticamente este tipo de aproveitamento não é legal. Na verdade ele reflete mesmo uma revolta da população ao descaso de administrações anteriores que não controlaram o mato’’, justifica.
A Secretaria da Agricultura estuda o aproveitamento dos terrenos baldios para a instalação de hortas comunitárias. O projeto, segundo o secretário Edson Bastos, está em andamento.
Bastos já lançou o programa de compostagem, que aproveita restos de alimentos da Central de Abastecimento para a fabricação de adubo orgânico. A primeira remessa de adubo deve sair em 40 dias e deve ser destinada a hortas de escolas e creches.

mockup