Moradores driblam prefeitura e plantam hortas em avenidas
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sábado, 15 de março de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
Álvaro OrsiRosas e girassóisMarcionilha com o marido: cansada de pedir a limpeza do canteiro, ela pôs a mão na massa UMUARAMA - O mato que antes tomava conta dos canteiros das avenidas da periferia de Umuarama está dando lugar ao plantio de hortaliças, legumes e frutas e principalmente batata-doce, que deve ser colhida antes das festas juninas.
Em toda a cidade, a área plantada chega perto de 1,5 hectare, quase a metade do plantio acompanhado pela Secretaria da Agricultura no município. As flores também fazem parte do cardápio de opções dos moradores e dão um colorido especial a lugares antes temidos por causa do mato.
Ex-agricultor, o motorista aposentado Manoel Messias Bernardo, 52 anos, está otimista com a pequena plantação de batata doce no final da avenida Estação. O mato aqui era feio. Era maior que aquele da praça, diz apontando para um lugar onde dois cavalos se alimentam soltos, escondidos no meio do capim e do lixo.
As mudas da batata foram cedidas por um vizinho, que mais tarde resolveu ampliar o plantio e fazer sociedade. A mesma iniciativa tiveram outros moradores próximos, até que todo o canteiro de um quarteirão foi reurbanizado.
Álvaro OrsiDoce uniãoO aposentado Bernardo, com vizinhos: moradores unidos no plantio de batata-doce para todo mundo
A pequena plantação de Bernardo não passa de 100 mudas. Os vizinhos dele, Gilberto Campolim, 23 anos, e Leonardo Machado, 20 anos, preferiram ir mais além. Plantaram para toda a família e fizeram um acordo: quem quiser batata, depois que a produção estiver no auge, é só buscar.
Campolim e Machado estão desempregados. Às vezes ficamos procurando mato no meio das mudas para ver se achamos alguma coisa, conta Machado.
Jardim Perto da casa deles, na avenida Estação, a aposentada Marcionilha Abreu Santana, 69 anos, cuida do jardim que formou há cerca de 2 meses. O espaço, de 20 metros quadrados, é dividido por rosas e girassóis. Marcionilha e o marido, Adolfo Pereira Santana, 75 anos, têm planos de fazer um grande jardim, ocupando todo o canteiro. Mas vou ter que comprar outra enxada, porque essa já não tem mais jeito, observa.
Os vizinhos aprovaram a idéia e prometeram ajudar. E ai de quem vier botar defeito, avisa José Sprange, 55 anos, que planta manga no canteiro da avenida Rondônia.
Marcionilha conta que se cansou de pedir à prefeitura a limpeza do canteiro. A grama, segundo ela, chegou a invadir metade da rua.
A mesma reclamação é feita pelo motorista aposentado Manoel Bernardo e pelos vizinhos Gilberto e Leandro. A gente gastava ficha no orelhão mas não adiantava nada, diz Bernardo.
Agora as próprias famílias estão tomando consciência e fazendo o serviço de uma forma aproveitável, explica.
O secretário de Serviços Públicos, Wilson Simões, diz que por enquanto a prefeitura não deve incentivar a ocupação de mais canteiros. Nos próximos dias, segundo ele, o município deve lançar a empresários da cidade um programa de adoção de praças e canteiros.
Descaso Em troca da conservação dos locais, a partir de um programa padrão, os empresários poderão fixar placas de propaganda. Urbanisticamente este tipo de aproveitamento não é legal. Na verdade ele reflete mesmo uma revolta da população ao descaso de administrações anteriores que não controlaram o mato, justifica.
A Secretaria da Agricultura estuda o aproveitamento dos terrenos baldios para a instalação de hortas comunitárias. O projeto, segundo o secretário Edson Bastos, está em andamento.
Bastos já lançou o programa de compostagem, que aproveita restos de alimentos da Central de Abastecimento para a fabricação de adubo orgânico. A primeira remessa de adubo deve sair em 40 dias e deve ser destinada a hortas de escolas e creches.


