Moradores driblam mato para tomar ônibus
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Em se plantando tudo dá. O ditado deixou o campo e chegou à cidade, mas de uma forma bastante inusitada. Na Rua Irmão José Valério Souza, no Vale do Cambezinho (Zona Oeste de Londrina), um verdadeiro jardim se formou em frente a um ponto de ônibus. Tomateiro, flores e até plantas venenosas ocupam o lugar dos pedestres, que precisam pular o mato para entrar no ônibus.
No entorno da rua, as calçadas estão abandonadas pelos proprietários e também pela Prefeitura, como afirmou a moradora Nina Cardoso. Em frente ao número 191 da Rua Carlos Gil, onde ela mora com a filha e a neta, o mato tomou conta da boca de lobo. As raízes de uma árvore que nasceu torta também estão rompendo a calçada e a planta está prestes a cair.
Já a avisei a Sema, mas eles disseram que estão cheios de serviço. Também já chamei a Prefeitura, que não fez nada. Nem sei quando foi a última vez que eles passaram por aqui para capinar o mato, reclamou Nina, lembrando que anos atrás essa mesma árvore já havia caido.
Na época, chamei a Sema e eles me pediram uma série de documentos e acabaram não vindo cortar a árvore. Então chamei os bombeiros. Eles cortaram a árvore, mas não adiantou porque ela cresceu de novo, toda torta, recordou a moradora. O mais engraçado é que a árvore caiu para dentro do meu muro no mesmo dia em que uma Santa Bárbara que eu tinha no quintal caiu para fora do muro. Mas graças a Deus não tive prejuízos graves, completou.
Rindo para não chorar, Nina contou que a cratera formada em frente ao ponto de ônibus da Rua Irmão José Valério Souza chegou a ser recuperada pela Prefeitura, mas com a passagem constante de veículos, a massa asfáltica foi empurrada para a calçada, favorecendo o nascimento das plantas no local. Como temos muitos passarinhos, eles devem ter trazido as sementes que originaram o tomateiro, brincou.
Com problemas no joelho e porque a capina custa caro, Nina não cortou o mato em frente da casa dela que, com as chuvas de verão, crescerá ainda mais rápido. Já a vizinha Janet Marchesi preferiu cuidar ela mesma da manutenção do matagal da calçada dela, no início da Rua Carlos Gil. Limpo a cada quinzena ou quando vejo que o mato está crescendo muito.
As vizinhas Maria Laudicéia Rodolfo Marimoto e Cleuza Rodrigues Lourenço também costumam carpir o mato que cresce em suas calçadas. Mas como Nina e Janet estão revoltadas com o descaso dos demais moradores da rua.
A vizinha da esquina, por exemplo, está construindo e deixou entulho em frente da casa, que também não tem calçada, alertou Cleuza. É um perigo porque a rua é mão dupla e um motorista apressado pode passar correndo e atropelar alguém que estiver passando no local, complementou Maria Laudicéia.
Além das calçadas cheias de mato, o bairro conta com vários terrenos abandonados pelos proprietários que, inclusive, não fizeram a calçada, conforme prevê a lei municipal. Um vizinho construiu uma cerca viva para impedir que o mato do terreno baldio ao lado invadisse a casa dele. O dono deste terreno também não fez calçada e o mato já está tomando conta da rua, comentou Maria Laudicéia.
Em alguns terrenos, os pés de mamona estão tão altos que dá até para alguém se esconder, registrou Nina, afirmando ter medo de passar pela rua sozinha à noite. De vez em quando, o dono passa veneno para acabar com o mato. Mas como ele não capina, o mato volta a crescer com mais vigor, lamentou a moradora.


