Um grupo formado por pelo menos 70 moradores do Jardim São Marcos, Zona Sul de Londrina, invadiu o prédio da Prefeitura na manhã de ontem para reivindicar a retomada das obras de asfaltamento do bairro, paradas há oito meses.
O protesto começou logo cedo, às 6 horas, com o fechamento da Rua Rainha do Mar, que dá entrada ao bairro. Um ônibus do transporte coletivo também foi impedido de circular pelo bairro. ''Pedimos a presença do secretário de Obras, que mandou recado dizendo que não viria'', contou o vigilante Melquíades Rodrigues Gomes, líder do movimento ''São Marcos Unido Jamais Será Vencido''.
Às 9 horas, o grupo resolveu partir em direção à Prefeitura, fechando também a Avenida Duque de Caxias. ''O secretário se recusou a nos receber de novo e então decidimos invadir o prédio'', disse Gomes. Os manifestantes ocuparam o hall de entrada da Prefeitura por volta do meio-dia, onde permaneceram até serem recebidos pelo secretário de Obras Aloysio Crescentini de Freitas.
''Ele disse que rescindiria o contrato com a firma e abriria uma nova licitação e que as obras seriam retomadas em janeiro do ano que vem'', informou o líder do movimento. Segundo ele, o grupo pediu que o secretário assinasse um termo de responsabilidade. ''Se não formos atendidos vamos fechar a rodovia ou outro ponto estratégico da cidade para fazer mais barulho.''
Conforme o vigilante, as obras de asfaltamento tiveram início em 2004, com o fim das instalações do sistema de esgoto no bairro. ''Em 2005, a firma abandonou a obra, deixando o bairro no completo caos'', recordou Gomes.
Segundo ele, quando chove, as crianças precisam usar sacos plásticos nos pés para ir à escola e os ônibus e os caminhões que coletam o lixo não conseguem circular pelas ruas, que estão sem moledo. ''Na seca, a poeira é demais e compromete ainda mais a saúde das crianças que sofrem de rinite e asma. É a mesma humilhação de sempre.''
Gomes citou o caso de uma moradora que estava grávida e perdeu o bebê, há pouco mais de dois meses, porque a ambulância não conseguiu circular no barro. ''Um vizinho teve que colocá-la no carro e levá-la para o hospital mas foi tarde demais'', lamentou Gomes.
Para o secretário de Obras de Londrina, Aloysio de Freitas, a assinatura de um termo de responsabilidade de nada vale se houver obstáculos na licitação. Segundo ele, o Município está trabalhando num pacote de obras ''e algumas deram problema, outras não''.
''A empreiteira encontrou dificuldades para começar a obra e mergulhou no preço, que se tornou inviável. Vamos rescindir o contrato, refazer o projeto, com novas adequações, e repassá-lo para a aprovação da Caixa Ecônomica'', explicou Freitas.
Ele citou a localização do antigo assentamento como o principal entrave para a colocação do asfalto. ''Como é uma área de morro, o índice de inclinação chega a 40% do terreno, enquanto o permitido é até 12%. Essa condição dificulta o funcionamento das linhas de ônibus, que escorregam. Além disso, durante as obras da rede de esgoto, que foram feitas pela Prefeitura e não pela Sanepar, foram encontradas muitas pedras, o que dificulta a escavação'', resumiu o secretário. Segundo ele, o novo processo licitatório acontecerá em dezembro e as obras deverão ter início no começo do próximo ano.

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