Cambé Algumas portas cerradas. Pouca gente passando pela rua. Um aviso na porta de acesso da agência onde aconteceu a tentativa de assalto avisava que não haveria expediente na sexta-feira. Ontem, o clima no Jardim Santo Amaro não poderia ser diferente. Um dia após a morte do segurança Sebastião Laurentino Ferreira, de 47 anos, que recebeu dois tiros dentro da agência local dos Correios, os comerciantes não escondem o medo do pior. ''Está dando medo de trabalhar aqui. A pessoa entra no estabelecimento e a gente não sabe se é ladrão ou cliente'', contou a cabeleireira Marta da Silva, que mora no bairro há oito anos.
É bem provável que Marta tenha sido a última pessoa com quem Ferreira tenha conversado. Cinco minutos antes do crime, ele pagou R$ 4,00 pelo corte de cabelo no salão dela. ''Ele era meu cliente há muito tempo. Tinha acabado de cortar o cabelo antes de acontecer essa tragédia. Lembro que ele tinha comentado comigo que precisar ir pra casa dormir porque estava muito cansado'', relatou. Segundo ele, o segurança passaria antes na agência dos Correios, vizinha do salão, para tirar algumas informações sobre um sedex.
Marta está assustada com o que aconteceu. Na semana passada, a mesma agência foi assaltada no período da manhã, por volta das 9 horas. ''Pra eles, isso não tem mais horário''. Se a situação piorar, ela pensa em fechar o negócio. ''Não dá para trabalhar sempre com medo. A gente coloca em risco nossa vida e a do cliente'', afirmou. O comerciante Rafael Alves de Souza, mais conhecido na região como Baiano, dono de uma padaria, foi assaltado uma vez por um adolescente. ''Não há o que fazer nessa hora. Ele chega e aponta uma arma pra sua cabeça e você vai fazer o que? A gente fica sujeito a esse tipo de coisa mesmo''.
Os funcionários da agência franqueada não quiseram falar sobre o assunto. ''Respeitem nossa privacidade'', disse um deles. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom/PR), Paulo Sérgio Gomes do Prado, esse comportamento arredio é considerado natural. ''Os funcionários têm medo de represálias dentro da empresa. E como não há estabilidade dentro dos Correios, as pessoas medem bastante o que vão falar'', argumentou.
Somente na região de Londrina, de acordo com o sindicalista, cerca de 25 assaltos foram registrados no mês de novembro. ''Só em Londrina tem agência que foi assaltada duas vezes em 15 dias'', informou. No dia 24 de agosto, o caixa Rodrigo Luis de Oliveira, 24 anos, da unidade central de Cambé, tomou uma coronhada na cabeça e um tiros nas costas durante um roubo. ''Graças a Deus, ele está bem. Mas isso reflete a insegurança que toma conta hoje de nosso trabalho. Espero que agora, depois de ter acontecido esse homicídio, a empresa tome providências no sentido de melhorar o sistema de segurança'', afirmou.
Como medida de protesto, o Sintcon/PR, com apoio do Sindicato dos Bancários, promete fechar na segunda-feira algumas agências de Londrina e Cambé.

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